terça-feira, 6 de janeiro de 2026

BOLSONARO APRESENTA APATIA E SINAIS NEUROLÓGICOS APÓS QUEDA NA CELA DA PF, E STF AVALIA LIBERAÇÃO PARA EXAMES

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a preocupar aliados e médicos após sofrer uma queda dentro de sua cela na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, nesta terça-feira (6). Segundo o cardiologista Brasil Caiado, que acompanha o ex-mandatário, Bolsonaro apresenta um quadro clínico que inspira cautela, com sinais de apatia, tontura e uma discreta queda da pálpebra esquerda — indício que pode apontar comprometimento neurológico.

Em declaração à imprensa, o médico relatou que realizou uma nova avaliação no início da noite. Apesar da pressão arterial normalizada e da ausência de queixas de dor, o estado geral do ex-presidente chamou atenção. “Ele estava apático, com leve queda na pálpebra esquerda e apresentando tontura. O próximo passo é aguardar a liberação para a realização de exames e o deslocamento imediato ao hospital, que já está de prontidão para recebê-lo”, afirmou Caiado.

A situação ganhou contornos jurídicos ao longo doq dia. Mais cedo, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu negar a transferência imediata de Bolsonaro para uma unidade hospitalar. Na avaliação do magistrado, naquele momento não havia elementos suficientes que justificassem a remoção emergencial, determinando que a Polícia Federal apresentasse um laudo médico detalhado sobre o ocorrido.

O documento foi encaminhado ao STF ainda nesta terça-feira e trouxe novos detalhes sobre o episódio. De acordo com o laudo da PF, há indícios de que Bolsonaro tenha caído da cama durante a noite. O relatório descreve uma lesão superficial no rosto e a presença de sangue, compatíveis com o relato da queda.

O texto técnico também destaca que o ex-presidente encontra-se em pós-operatório recente de uma herniorrafia inguinal bilateral, além de ter sido submetido a bloqueio anestésico bilateral do nervo frênico. Soma-se a isso o uso recente de CPAP para tratamento de apneia do sono e de medicamentos que atuam no sistema nervoso central, como gabapentina, escitalopram e clorpromazina. O laudo ainda menciona o uso recente de anticoagulantes e outras comorbidades, fatores que elevam o risco clínico em casos de quedas e traumas.

Diante desse conjunto de informações, a equipe médica assistente foi oficialmente comunicada sobre o quadro, enquanto cresce a expectativa por uma nova decisão do ministro Alexandre de Moraes. Caberá agora ao STF deliberar se autoriza ou não a saída de Bolsonaro da custódia da PF para a realização de exames mais detalhados em ambiente hospitalar, o que poderá esclarecer a extensão das consequências da queda e definir os próximos passos no acompanhamento de sua saúde.

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