O anúncio foi feito em clima de unidade, por meio de um vídeo ao lado dos dois colegas de partido, sinalizando que a sigla pretende tratar a definição da candidatura presidencial como um projeto coletivo. Em seu discurso, Caiado fez questão de destacar que sua decisão foi marcada pelo que chamou de “gesto de total desprendimento”, deixando claro que aceita disputar internamente o espaço e apoiar aquele que for escolhido pelo PSD.
Segundo o governador goiano, sua saída do União Brasil foi motivada pela falta de espaço para ampliar o debate nacional dentro da antiga legenda. Ele afirmou que buscava uma plataforma que lhe permitisse contribuir mais ativamente com os rumos do país, algo que, de acordo com sua avaliação, havia se tornado inviável. Ao reforçar o tom de união, declarou que não se trata de um projeto pessoal, mas de um esforço conjunto em torno de uma proposta de “esperança” e de “resgate” das expectativas da população brasileira.
A recepção dentro do PSD foi cuidadosamente coreografada para demonstrar alinhamento. Eduardo Leite afirmou que, acima das ambições individuais, deve prevalecer o compromisso com o Brasil, e disse que será um prazer caminhar ao lado de Caiado e Ratinho Jr. Já o governador paranaense classificou a filiação como parte de um “projeto de união pelo Brasil”, reforçando a narrativa de convergência construída pela legenda.
Horas antes do anúncio oficial, Caiado já havia dado sinais claros de que deixaria o União Brasil. Em entrevista a uma rádio de Goiânia, revelou que comunicara à direção do partido sua decisão de buscar uma nova sigla. Nos bastidores, a avaliação predominante na cúpula do União Brasil é de que a legenda deve evitar lançar candidatura própria à Presidência, priorizando manter flexibilidade política para composições futuras. Dirigentes entendem que, sem um nome altamente competitivo, entrar na disputa apenas para marcar posição poderia enfraquecer o partido no cenário nacional. Internamente, o desempenho de Caiado nas pesquisas era visto como insuficiente para sustentar uma candidatura robusta.
Dentro do PSD, o favoritismo inicial é atribuído a Ratinho Jr, que aparece como o nome mais forte da legenda neste momento. Ainda assim, o presidente do partido, Gilberto Kassab, tem mantido o discurso de portas abertas e evita antecipar qualquer definição. Ele também tem feito elogios públicos a Eduardo Leite, indicando que a escolha do candidato será resultado de cálculos políticos, desempenho e capacidade de agregação.
A chegada de Caiado amplia o leque do PSD e reforça o peso da legenda no debate nacional. Ao reunir três governadores com visibilidade e ambições presidenciais, o partido se posiciona como um dos polos de articulação para 2026, apostando em um discurso de moderação, gestão e convergência. Resta saber qual dos três conseguirá se consolidar como o nome capaz de unificar o projeto partidário e, ao mesmo tempo, dialogar com um eleitorado cada vez mais fragmentado.
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