A apreensão ocorreu neste sábado (17), em um galpão localizado às margens da BR-116, no bairro Lagoa Grande. No interior do imóvel, os policiais encontraram as caixas armazenadas de forma irregular, muitas delas com as inscrições oficiais parcialmente apagadas com o uso de solvente químico, numa tentativa clara de ocultar a origem pública dos equipamentos. O prejuízo estimado aos cofres públicos chega a R$ 120 mil.
O responsável pelo galpão afirmou aos investigadores que recebia pagamento para apagar as identificações das caixas e realizar a entrega do material na zona rural do município de Manoel Vitorino. A prática, segundo a apuração inicial, não seria um fato isolado, mas parte de um esquema já repetido em outras ocasiões.
Durante a operação, dois homens, de 29 e 32 anos, foram presos em flagrante pelo crime de receptação. Eles confessaram ter adquirido cinco caixas d’água pelo valor de R$ 7.500,00, negociadas diretamente com um vereador do município de Manoel Vitorino. De acordo com os depoimentos, o parlamentar teria solicitado explicitamente a remoção das marcas do governo federal, numa tentativa de descaracterizar os bens públicos antes da redistribuição.
Ainda segundo os suspeitos, as demais caixas seriam entregues a moradores do distrito de Salgado, escolhidos previamente pelo vereador citado, o que levanta fortes indícios de uso político e indevido de equipamentos destinados a políticas públicas de abastecimento e segurança hídrica.
Os dois investigados foram conduzidos à Delegacia Territorial de Poções, onde permanecem à disposição da Justiça. As investigações seguem em andamento e devem avançar para identificar todos os envolvidos no esquema, inclusive agentes públicos que possam ter participado do desvio ou se beneficiado da distribuição irregular do material.
A operação contou com o apoio da 10ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (Coorpin), sediada em Vitória da Conquista, e da Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos (DRFR). O caso reacende o debate sobre a fiscalização do uso de recursos públicos e a necessidade de maior controle na destinação de benefícios destinados às populações mais carentes do interior do país.
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