O caso começou a ganhar repercussão após uma denúncia anônima acusar Monteiro de utilizar um veículo alugado pela Prefeitura para receber propina. O inquérito, que havia sido arquivado em outubro do ano passado por falta de provas, voltou à tona depois que uma reportagem da TV Record levantou a suspeita de que a apuração poderia ter caráter de perseguição política.
Desde a líder do governo na Assembleia, deputada Socorro Pimentel (União Brasil), até o líder da oposição, deputado Cayo Albino (PSB), e o presidente da Casa, Álvaro Porto (PSDB), parlamentares se pronunciaram publicamente, reforçando o peso político do episódio mais do que seu impacto jurídico.
Em entrevista coletiva, o secretário estadual de Desenvolvimento Social, Alessandro Carvalho, explicou que a investigação foi conduzida seguindo todos os procedimentos legais e que qualquer denúncia grave, mesmo anônima, é apurada pela Polícia Civil. Carvalho anunciou ainda a abertura de um novo procedimento para identificar o responsável pelo vazamento de informações sigilosas, incluindo conversas de WhatsApp de policiais envolvidos na operação. Segundo ele, o vazamento configura crime e pode ter sido cometido por um agente afastado do setor de inteligência, que havia sido flagrado em encontro com o ex-presidente da Câmara de Ipojuca, atualmente preso sob suspeita de envolvimento em um desvio de R$ 41 milhões.
O episódio dividiu os deputados estaduais. Aliados da governadora saíram em defesa da Polícia Civil e do governo, reforçando a legalidade das ações, enquanto parlamentares da oposição passaram a comparar o caso a práticas de perseguição política, alguns chegando a associar a situação a tempos de ditadura. O deputado Waldemar Borges (MDB) chegou a publicar artigo criticando a investigação, enquanto Débora Almeida e o secretário Daniel Coelho defenderam Raquel Lyra.
Mesmo sem novos fatos jurídicos relevantes, a discussão evidencia que o ambiente político em Pernambuco já está polarizado. Tanto governo quanto oposição mostram disposição de transformar qualquer tema sensível em munição política, sugerindo que a campanha eleitoral de 2026 terá embates acirrados, não apenas nas urnas, mas também dentro do plenário da Assembleia Legislativa e na opinião pública
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