Produzido pela indiana Bajaj Auto, gigante mundial do setor de duas rodas, o Qute é classificado como quadriciclo leve. O veículo tem menos de três metros de comprimento, pesa cerca de 400 quilos e utiliza um motor monocilíndrico de 217 cilindradas, semelhante ao de motocicletas. Compacto e econômico, ele foi pensado para ser uma solução de mobilidade urbana de baixo custo, especialmente em países em desenvolvimento.
Em mercados como México, Egito e Turquia, o modelo já circula com boa aceitação, sendo utilizado tanto para transporte individual quanto para pequenos serviços urbanos. O consumo reduzido e o valor de venda na faixa dos 3 mil dólares ajudaram a criar a imagem de um possível “carro popular moderno”, despertando interesse também entre consumidores brasileiros.
No entanto, a legislação nacional impôs um freio definitivo aos planos da montadora. Para que um veículo seja vendido como automóvel de passeio no Brasil, é obrigatório cumprir uma série de exigências de segurança, como a presença de airbags, reforços estruturais e aprovação em testes de impacto dentro dos padrões estabelecidos pelas normas brasileiras. O Qute, projetado para regulamentações mais flexíveis, não atende a esses critérios.
Segundo avaliações do setor automotivo, até houve estudos sobre possíveis adaptações para adequar o modelo às regras brasileiras, mas os custos de desenvolvimento e certificação acabariam elevando o preço final, tirando justamente o principal atrativo do veículo: o baixo valor.
Com isso, a Bajaj mantém sua estratégia brasileira focada exclusivamente em motocicletas. A empresa tem ampliado sua presença no país com modelos de média cilindrada, como as Dominar 160, 200, 250 e 400, além de investir na consolidação de sua operação industrial e rede de concessionárias.
Apesar do veto no Brasil, o Qute continua nos planos da marca para outros países da América do Sul. O Paraguai é um dos mercados avaliados, já que possui normas de homologação menos rigorosas, o que pode permitir a venda do minicarro sem grandes modificações.
O caso evidencia o desafio de trazer soluções de mobilidade ultracompactas para o Brasil, onde a busca por veículos mais baratos esbarra frequentemente em regras de segurança mais rígidas — fundamentais para a proteção dos ocupantes, mas que elevam custos e limitam alternativas de entrada no mercado.
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