De acordo com a Secretaria de Defesa Social (SDS), o comissário integrava um grupo de WhatsApp com outros nove policiais civis no qual foram trocadas mensagens sobre uma investigação preliminar baseada em denúncia anônima. A apuração buscava esclarecer a informação de que um veículo locado pela Prefeitura do Recife estaria sendo utilizado, supostamente, para pagamentos de propina. O carro chegou a ser monitorado entre os meses de agosto e outubro de 2025, ainda segundo a SDS. O procedimento, porém, não evoluiu para a abertura formal de inquérito.
O caso veio a público no último domingo (25), após reportagem exibida pelo programa Domingo Espetacular, da TV Record. A matéria levantou a suspeita de que a Polícia Civil estaria monitorando adversários políticos da atual gestão estadual, o que provocou forte repercussão política e institucional. A narrativa foi rechaçada pelo secretário de Defesa Social, Alessandro Carvalho, que afirmou que a apuração seguiu parâmetros legais e que não houve qualquer direcionamento político na atuação policial.
Carvalho também declarou que a principal irregularidade identificada até o momento foi a quebra de sigilo das informações internas da Dintel. Segundo ele, há indícios de que o vazamento possa ter partido do comissário já afastado, hipótese que passou a ser investigada formalmente. “Houve violação do sigilo profissional. Muito provavelmente pelo policial que foi afastado em novembro e que estava passando informações para uma organização criminosa. Essa é uma hipótese que estamos apurando”, afirmou o secretário, ao confirmar a instauração de inquérito para apurar responsabilidades.
O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) também se manifestou no contexto das investigações. Conforme o órgão, o mesmo comissário é suspeito de ter sido cooptado para monitorar o andamento do inquérito que apura os supostos desvios milionários de emendas parlamentares na Câmara Municipal de Ipojuca. A informação reforça a linha de investigação sobre possível atuação indevida do policial em procedimentos sensíveis e de grande repercussão política.
Enquanto as apurações avançam, o caso expõe fragilidades na proteção de dados sigilosos dentro de setores estratégicos da segurança pública e levanta questionamentos sobre a conduta funcional de agentes responsáveis por investigações de alto impacto. A SDS sustenta que os fatos serão esclarecidos com base nas provas técnicas e documentais reunidas, e que eventuais responsabilidades individuais não comprometem a legalidade das ações institucionais da Polícia Civil.
O comissário investigado ainda não teve defesa pública detalhada divulgada sobre as novas suspeitas. O espaço permanece aberto para manifestações.
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