Roquetti ocupava o cargo de diretor de programa da Secretaria Executiva do MEC em 2019, durante a breve e conturbada gestão do ministro Ricardo Vélez Rodríguez. À época, era visto como um dos principais auxiliares do ministro e integrava o grupo de militares que passou a disputar espaço e influência dentro da pasta com servidores alinhados ao filósofo Olavo de Carvalho, um dos principais ideólogos do bolsonarismo naquele momento.
O embate interno rapidamente ganhou proporções públicas. De um lado, militares defendiam uma gestão técnica e hierarquizada; de outro, olavistas acusavam o grupo fardado de tentar aparelhar o ministério e afastar aliados do filósofo. Roquetti tornou-se um dos alvos centrais dessa disputa, sendo acusado por seguidores de Olavo de promover perseguições internas. O conflito se agravou a ponto de chegar ao Palácio do Planalto.
Em março de 2019, Jair Bolsonaro interveio diretamente e solicitou a exoneração do coronel. A saída de Roquetti foi celebrada publicamente por Olavo de Carvalho, que comemorou o afastamento nas redes sociais. O episódio simbolizou a crise instalada no MEC e expôs a guerra interna que marcou os primeiros meses do governo Bolsonaro, contribuindo para o desgaste e posterior queda do ministro Vélez Rodríguez.
Cinco anos depois, Roquetti voltou a aparecer em um episódio de forte repercussão institucional. No dia 29 de dezembro do ano passado, ele encaminhou um e-mail ao gabinete do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), relatando que seu perfil na rede social LinkedIn havia sido visualizado por Filipe Martins. À época, o ex-assessor presidencial cumpria prisão domiciliar e estava submetido a medidas cautelares que o proibiam de acessar redes sociais, inclusive por intermédio de terceiros.
Na mensagem enviada ao Supremo, Roquetti afirmou não manter qualquer tipo de relação pessoal ou profissional com Filipe Martins e sustentou que a visualização de seu perfil poderia indicar um descumprimento da decisão judicial imposta ao ex-auxiliar do Palácio do Planalto. O coronel solicitou ainda que sua identidade fosse preservada, mas o conteúdo do e-mail acabou sendo anexado a um despacho do ministro Alexandre de Moraes, tornando público o nome do denunciante.
Diante da comunicação, Moraes determinou que a defesa de Filipe Martins prestasse esclarecimentos. Após analisar as informações apresentadas, o ministro decidiu pela decretação da prisão preventiva do ex-assessor, entendendo haver indícios de violação das medidas cautelares impostas anteriormente. Filipe Martins já havia sido condenado no processo que apura a chamada trama golpista, mas ainda aguarda o esgotamento de recursos judiciais.
O caso reacende debates sobre os desdobramentos das investigações envolvendo o entorno do ex-presidente Jair Bolsonaro e também traz à tona personagens que marcaram, de forma turbulenta, os primeiros passos do governo. A trajetória de Ricardo Wagner Roquetti, que vai da exoneração por ordem presidencial à condição de denunciante em um processo de grande impacto político, ilustra como conflitos do passado continuam ecoando no presente da cena política brasileira.
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