domingo, 11 de janeiro de 2026

ADMINISTRAÇÃO DE CORRENTES TENTA BARRAR A SAÚDE DAS MULHERES, MAS CARRETA DESAFIA PREFEITO E CHEGA À CIDADE SOB APLAUSOS

Uma queda de braço política acabou expondo, de forma crua, como disputas de poder ainda interferem diretamente no acesso da população a serviços básicos de saúde no interior de Pernambuco. Em Correntes, no Agreste Meridional, a chegada da Carreta da Mulher — unidade móvel voltada à realização de exames preventivos e atendimentos destinados ao público feminino — foi marcada por resistência política, tensão nos bastidores e, por fim, comemoração popular.

A polêmica envolve o prefeito Edimilson da Bahia (PT), acusado por adversários e por servidores ligados à própria gestão de adotar uma postura de enfrentamento ao Governo do Estado ao tentar inviabilizar a atuação da carreta no município. Segundo relatos internos, a Prefeitura teria sido informada da vinda do equipamento por meio das redes sociais e, a partir disso, decidiu não firmar parceria institucional para a realização dos atendimentos, mesmo diante da existência de uma fila que ultrapassaria a marca de cem mulheres aguardando exames.

A alternativa apresentada pela gestão municipal, de acordo com esses servidores, foi limitar o acesso das pacientes, levando grupos de apenas vinte mulheres por vez para realizarem os procedimentos na cidade de Garanhuns. A proposta, vista como insuficiente e burocrática, acabou sendo interpretada como uma tentativa de esvaziar a ação estadual e manter o controle político sobre o serviço, em uma prática que críticos classificam como atrasada e típica do velho coronelismo.

Apesar da resistência, a estratégia não prosperou. Contra a vontade do prefeito e de seu grupo político, a Carreta da Mulher chegou a Correntes por volta das 22h, sendo recebida com entusiasmo por moradores. O que deveria ser apenas a instalação de uma unidade móvel de saúde acabou se transformando em um ato simbólico, comemorado com fogos de artifício e manifestações de alívio por parte da população feminina, cansada de esperar por exames preventivos.

A carreta, descrita por quem acompanhou a chegada como uma estrutura simples, sem qualquer luxo ou aparato extraordinário, representa, ainda assim, a chance concreta de diagnóstico precoce e cuidado com a saúde de dezenas de mulheres. O atendimento ocorrerá entre os dias 12 e 14 de janeiro, contemplando todas aquelas que procurarem os serviços disponibilizados.

O episódio escancara como disputas políticas menores podem se sobrepor a interesses coletivos, especialmente quando o tema é saúde pública. Para muitos moradores, a tentativa de barrar a ação foi vista como uma atitude mesquinha, bairrista e descolada da realidade de quem depende do SUS para realizar exames básicos. No fim das contas, a carreta chegou, os atendimentos serão realizados e o desgaste político ficou concentrado em quem tentou transformar prevenção e cuidado em instrumento de disputa de poder.

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