Anderson Ferreira, ex-prefeito de Jaboatão dos Guararapes e presidente estadual do PL, permanece na legenda que se consolidou nacionalmente como o principal abrigo político do bolsonarismo. De dentro do partido, articula sua pré-candidatura ao Senado tentando se firmar como o nome oficial da direita ligada a Bolsonaro em Pernambuco. Sua posição partidária lhe dá estrutura, tempo de televisão e musculatura organizacional, mas não garante, por si só, a unidade do grupo.
Do outro lado está Gilson Machado, ex-ministro do Turismo e figura de confiança do ex-presidente, que decidiu deixar o PL e passou a buscar uma nova legenda. A saída escancarou divergências nos bastidores e abriu uma disputa direta pelo mesmo eleitorado: o conservador, ideológico e fortemente identificado com Bolsonaro. Gilson condiciona sua filiação a uma exigência clara — só entra em um novo partido se tiver garantido o direito de disputar o Senado, mesmo que de forma avulsa, sem vinculação obrigatória a uma chapa de governador.
A movimentação cria um impasse dentro da própria direita. Em vez de um único nome competitivo concentrando forças, o bolsonarismo pode acabar fragmentado, com dois candidatos disputando o mesmo campo político. Essa divisão pode enfraquecer o desempenho eleitoral de ambos, especialmente em um Estado onde as eleições majoritárias costumam ser fortemente influenciadas por alianças amplas e palanques estruturados.
O problema se agrava porque os dois principais polos da política estadual — a governadora Raquel Lyra e o prefeito do Recife, João Campos — não demonstram disposição de abrir espaço em seus palanques para candidaturas identificadas com o bolsonarismo. Sem o apoio de uma chapa forte ao Governo, uma candidatura ao Senado isolada se torna mais difícil, exigindo alto grau de nacionalização da campanha e forte identificação ideológica do eleitor.
Tanto Anderson quanto Gilson apostam justamente nisso: na transferência de votos do campo conservador e na lembrança do desempenho de 2022, quando Gilson Machado ultrapassou a marca de 1 milhão de votos na disputa para o Senado. A avaliação é de que existe uma base fiel que pode ser reativada. No entanto, o cenário político mudou, o ambiente nacional é outro e o nível de mobilização do eleitorado bolsonarista ainda é uma incógnita.
Nos bastidores, cresce a percepção de que o racha pode levar a um desfecho pragmático. Caso a viabilidade para o Senado não se confirme, tanto Anderson Ferreira quanto Gilson Machado têm porte eleitoral para disputar vagas na Câmara dos Deputados. Nesse cenário, a divisão atual deixaria de ser um confronto direto e se transformaria em estratégias paralelas dentro do mesmo campo ideológico.
Enquanto isso, partidos observam. O Podemos, por exemplo, surge como uma das siglas interessadas em abrigar Gilson Machado, de olho no potencial de votos do ex-ministro. Já o PL tenta manter Anderson como seu principal nome no Estado, evitando perder protagonismo dentro do bolsonarismo local.
O que está em jogo não é apenas uma candidatura, mas a liderança da direita bolsonarista em Pernambuco. A falta de unidade pode custar caro em uma eleição majoritária, onde estrutura, alianças e palanques costumam pesar tanto quanto a força ideológica. Até lá, o eleitor conservador assiste a uma disputa interna que pode redefinir quem, de fato, carregará a bandeira de Bolsonaro nas urnas pernambucanas.
Nenhum comentário:
Postar um comentário