sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

ENTRE A SAPUCAÍ E O GALO: PLANALTO CALIBRA AGENDA DE LULA NO CARNAVAL PARA EVITAR DESGASTE POLÍTICO

Nos bastidores do Palácio do Planalto, o Carnaval deste ano deixou de ser apenas festa popular e passou a integrar o tabuleiro da estratégia política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A possível presença do petista no Sambódromo Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, está sendo analisada com cautela por auxiliares diretos, que enxergam no evento tanto uma vitrine simbólica quanto um risco de exposição negativa.

Lula será homenageado pela escola de samba Acadêmicos de Niterói, que prepara um enredo inspirado em sua trajetória política e pessoal, desde as origens humildes até a Presidência da República. A homenagem, no entanto, não é vista apenas sob o prisma cultural. Integrantes do governo temem que o presidente possa enfrentar vaias nas arquibancadas ou que a escola tenha um desempenho ruim na avenida, o que poderia gerar narrativas desfavoráveis nas redes sociais e na oposição, inclusive com o rótulo de “pé frio”.

Outro fator considerado é o ambiente político do Rio de Janeiro, frequentemente apontado por aliados como um estado onde o bolsonarismo mantém forte presença popular. Uma eventual reação hostil ao presidente em um evento de grande visibilidade nacional poderia ofuscar o tom festivo da agenda e criar ruídos em um momento em que o Planalto busca reforçar a imagem de proximidade com o povo.

Apesar das preocupações, a tendência ainda é de que Lula compareça à Sapucaí. Paralelamente, porém, o governo articula uma espécie de “antídoto” político e simbólico: a presença do presidente no Carnaval do Nordeste, especialmente em Pernambuco. A participação de Lula no Galo da Madrugada, no Recife, é tratada como praticamente certa por lideranças do PT no estado.

O movimento não é aleatório. Pernambuco é um dos principais redutos eleitorais do presidente e carrega um peso afetivo em sua biografia, por ser o estado onde nasceu. A imagem de Lula em meio à multidão do maior bloco de rua do mundo, cercado por uma base historicamente fiel, é vista por aliados como um contraponto poderoso a qualquer eventual desgaste no Rio.

Dentro do governo, a leitura é que o Carnaval nordestino oferece um ambiente mais previsível e caloroso, capaz de reforçar a narrativa de identificação popular que sempre marcou a trajetória política do petista. Assim, a folia se transforma em palco estratégico: de um lado, o glamour e a exposição da Sapucaí; do outro, a força simbólica das ruas do Recife.

Entre confetes, tamborins e cálculos políticos, o Planalto tenta garantir que, ao fim da festa, a imagem que prevaleça seja a de um presidente celebrado — e não contestado — pela multidão.

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