Lula será homenageado pela escola de samba Acadêmicos de Niterói, que prepara um enredo inspirado em sua trajetória política e pessoal, desde as origens humildes até a Presidência da República. A homenagem, no entanto, não é vista apenas sob o prisma cultural. Integrantes do governo temem que o presidente possa enfrentar vaias nas arquibancadas ou que a escola tenha um desempenho ruim na avenida, o que poderia gerar narrativas desfavoráveis nas redes sociais e na oposição, inclusive com o rótulo de “pé frio”.
Outro fator considerado é o ambiente político do Rio de Janeiro, frequentemente apontado por aliados como um estado onde o bolsonarismo mantém forte presença popular. Uma eventual reação hostil ao presidente em um evento de grande visibilidade nacional poderia ofuscar o tom festivo da agenda e criar ruídos em um momento em que o Planalto busca reforçar a imagem de proximidade com o povo.
Apesar das preocupações, a tendência ainda é de que Lula compareça à Sapucaí. Paralelamente, porém, o governo articula uma espécie de “antídoto” político e simbólico: a presença do presidente no Carnaval do Nordeste, especialmente em Pernambuco. A participação de Lula no Galo da Madrugada, no Recife, é tratada como praticamente certa por lideranças do PT no estado.
O movimento não é aleatório. Pernambuco é um dos principais redutos eleitorais do presidente e carrega um peso afetivo em sua biografia, por ser o estado onde nasceu. A imagem de Lula em meio à multidão do maior bloco de rua do mundo, cercado por uma base historicamente fiel, é vista por aliados como um contraponto poderoso a qualquer eventual desgaste no Rio.
Dentro do governo, a leitura é que o Carnaval nordestino oferece um ambiente mais previsível e caloroso, capaz de reforçar a narrativa de identificação popular que sempre marcou a trajetória política do petista. Assim, a folia se transforma em palco estratégico: de um lado, o glamour e a exposição da Sapucaí; do outro, a força simbólica das ruas do Recife.
Entre confetes, tamborins e cálculos políticos, o Planalto tenta garantir que, ao fim da festa, a imagem que prevaleça seja a de um presidente celebrado — e não contestado — pela multidão.
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