Um carnaval diferente

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

ESPECIAL - O LEGADO EM SILÊNCIO DO CARRO DE SOM HISTÓRICO QUE MARCOU CAMPANHAS EM BELO JARDIM

Em um canto esquecido de um pátio na cidade de Belo Jardim, no Agreste de Pernambuco, jaz um microônibus Marcopolo Júnior que um dia foi um dos protagonistas mais ruidosos da vida política local. Este veículo, adaptado como carro de som e fortemente associado à Rádio Itacaité FM 88.1, ficou famoso por sua presença constante nas ruas da cidade durante as campanhas eleitorais que marcaram épocas e decisões importantes para o município. Hoje, depois de aproximadamente 10 anos desativado, ele permanece como um símbolo silencioso de uma era em que campanhas eram feitas com voz nas ruas, música, jingles e mensagens que ecoavam pelas praças, bairros e estradas. 

Nas décadas em que esteve em atividade, o carro de som não era apenas um veículo; era uma ferramenta de comunicação e mobilização política, capaz de levar mensagens eleitorais, convites para comícios, anúncios de eventos e declarações de lideranças diretamente às pessoas que caminhavam ou trabalhavam nas ruas. Associado à rádio local, sua função ia além da propaganda: tornava visível e audível a presença de candidatos e lideranças políticas em cada esquina e em cada bairro visitado.

O uso intenso desse tipo de veículo nas campanhas tinha relação com a forte tradição de rádios comunitárias e emissoras locais no interior do Brasil, onde a comunicação direta com o cidadão era crucial para difundir mensagens eleitorais, fortalecer identidades políticas e mobilizar apoios. Pesquisas sobre rádios comunitárias em campanhas mostram como emissoras e mídias locais eram instrumentos fundamentais para alcançar diferentes segmentos da população nas zonas urbanas e rurais. 

Para o público de Belo Jardim, esse carro de som foi testemunha e parte ativa de embates políticos marcantes. Longas fileiras de pessoas acompanhavam o veículo com seus alto-falantes, ouvindo mensagens que muitas vezes definiram o rumo de debates eleitorais, posicionaram candidatos e ajudaram a moldar a opinião pública. As ruas se tornavam palcos, e a cidade inteira parecia dançar ao ritmo dos discursos e jingles que saíam pelos alto-falantes do microônibus. 

Hoje, depois de uma década fora de uso, o Marcopolo Júnior permanece desativado, com sua lataria marcada pelo tempo, pneus murchos e o silêncio onde antes havia som e movimento. Sua imagem desperta nostalgia entre moradores mais antigos, que lembram com carinho e emoção dos dias em que a política soava alto pelas vias da cidade. É quase impossível caminhar pelas redes sociais sem encontrar registros fotográficos e comentários que evocam aquele tempo em que o carro de som era o centro das atenções, reunindo famílias, jovens e eleitores em geral ao redor de sua mensagem vibrante. 

Mais do que um veículo, esse carro de som representa um capítulo da história política e comunicacional de Belo Jardim: um tempo em que a presença física nas ruas e a voz amplificada sobre rodas eram partes essenciais da democracia local. A trajetória desse microônibus Marcopolo Júnior é um lembrete de como as campanhas mudaram com o tempo, mas também de como certos símbolos permanecem vivos nas memórias coletivas de uma comunidade. 

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