Nas décadas em que esteve em atividade, o carro de som não era apenas um veículo; era uma ferramenta de comunicação e mobilização política, capaz de levar mensagens eleitorais, convites para comícios, anúncios de eventos e declarações de lideranças diretamente às pessoas que caminhavam ou trabalhavam nas ruas. Associado à rádio local, sua função ia além da propaganda: tornava visível e audível a presença de candidatos e lideranças políticas em cada esquina e em cada bairro visitado.
O uso intenso desse tipo de veículo nas campanhas tinha relação com a forte tradição de rádios comunitárias e emissoras locais no interior do Brasil, onde a comunicação direta com o cidadão era crucial para difundir mensagens eleitorais, fortalecer identidades políticas e mobilizar apoios. Pesquisas sobre rádios comunitárias em campanhas mostram como emissoras e mídias locais eram instrumentos fundamentais para alcançar diferentes segmentos da população nas zonas urbanas e rurais.
Para o público de Belo Jardim, esse carro de som foi testemunha e parte ativa de embates políticos marcantes. Longas fileiras de pessoas acompanhavam o veículo com seus alto-falantes, ouvindo mensagens que muitas vezes definiram o rumo de debates eleitorais, posicionaram candidatos e ajudaram a moldar a opinião pública. As ruas se tornavam palcos, e a cidade inteira parecia dançar ao ritmo dos discursos e jingles que saíam pelos alto-falantes do microônibus.
Hoje, depois de uma década fora de uso, o Marcopolo Júnior permanece desativado, com sua lataria marcada pelo tempo, pneus murchos e o silêncio onde antes havia som e movimento. Sua imagem desperta nostalgia entre moradores mais antigos, que lembram com carinho e emoção dos dias em que a política soava alto pelas vias da cidade. É quase impossível caminhar pelas redes sociais sem encontrar registros fotográficos e comentários que evocam aquele tempo em que o carro de som era o centro das atenções, reunindo famílias, jovens e eleitores em geral ao redor de sua mensagem vibrante.
Mais do que um veículo, esse carro de som representa um capítulo da história política e comunicacional de Belo Jardim: um tempo em que a presença física nas ruas e a voz amplificada sobre rodas eram partes essenciais da democracia local. A trajetória desse microônibus Marcopolo Júnior é um lembrete de como as campanhas mudaram com o tempo, mas também de como certos símbolos permanecem vivos nas memórias coletivas de uma comunidade.
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