quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

FISCALIZAÇÃO NA PONTE GIRATÓRIA REVELA PROBLEMAS E ACENDE EMBATE ENTRE VEREADOR E PREFEITURA DO RECIFE

A recém-inaugurada Ponte Giratória, um dos cartões-postais do Centro do Recife, voltou ao centro do debate público nesta quarta-feira (14) após uma fiscalização inusitada realizada pelo vereador Eduardo Moura (NOVO). Em uma ação transmitida ao vivo pelas redes sociais, o parlamentar decidiu avaliar a estrutura por um ângulo pouco explorado: a parte inferior da ponte, acessível apenas por via fluvial.

Para isso, Moura alugou uma embarcação do tipo baiteira no Cais do Marco Zero e percorreu toda a extensão da ponte observando a estrutura por baixo, área invisível para quem trafega diariamente pelo local. As imagens captadas durante a fiscalização mostraram, segundo o vereador, uma série de falhas estruturais, como ferragens expostas, rachaduras no concreto, infiltrações, vazamentos contínuos e a ausência de um sistema adequado de drenagem da água da chuva.

Durante a transmissão, um dos momentos que mais chamou atenção foi quando Moura tocou em uma fissura com ferragem aparente e um fragmento de concreto se desprendeu, caindo em sua mão. O episódio foi usado pelo parlamentar para reforçar a crítica de que a obra teria sido entregue de forma apressada e sem o devido acabamento técnico.

De acordo com o vereador, os problemas já haviam sido identificados em uma fiscalização anterior, realizada no dia 31 de dezembro, poucos dias após a inauguração oficial. Na avaliação dele, a intervenção da Prefeitura do Recife se limitou, em alguns pontos, a aplicações superficiais de tinta emborrachada, numa tentativa de ocultar falhas mais profundas da estrutura. Moura também criticou o fato de a ponte, construída sobre um rio, não contar com um sistema eficiente de escoamento da água, o que, segundo ele, pode sobrecarregar a rede de saneamento da região.

A obra da Ponte Giratória teve início em 2023 e tinha previsão de conclusão para fevereiro de 2024. No entanto, a entrega só ocorreu em 23 de dezembro, às vésperas do fim do ano. O orçamento inicial, estimado em R$ 9,4 milhões, passou por aditivos contratuais e chegou a aproximadamente R$ 14 milhões, valor que continua sendo questionado pelo parlamentar. Moura afirma que, apesar do alto custo, a obra não foi entregue em condições satisfatórias.

Em tom duro, o vereador cobrou explicações diretas do prefeito João Campos (PSB), sugerindo que a inauguração da ponte teve viés eleitoral e que os problemas estruturais colocam em xeque o discurso oficial de segurança e qualidade da intervenção. Ele também afirmou que continuará fiscalizando obras públicas no Recife, mesmo diante de possíveis tentativas de impedir sua atuação.

A Prefeitura do Recife ainda não se pronunciou oficialmente sobre as denúncias apresentadas durante a fiscalização. Enquanto isso, as imagens e declarações do vereador repercutem nas redes sociais e reacendem o debate sobre a qualidade das obras públicas, os custos envolvidos e a transparência na execução de grandes projetos urbanos na capital pernambucana.

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