O rompimento é resultado de atritos recorrentes com o ex-prefeito de Jaboatão dos Guararapes, Anderson Ferreira, atual presidente estadual do PL e pré-candidato ao Senado Federal. O conflito ganhou contornos mais nítidos após declaração pública do próprio Jair Bolsonaro, pouco antes de ser preso, ao afirmar que Gilson Machado seria seu nome de preferência para a vaga ao Senado por Pernambuco — espaço político também almejado por Anderson.
Mesmo sem oficializar novo destino partidário, Gilson Machado já mantém conversas avançadas com o Novo e o Podemos. Nos bastidores, sua filiação é disputada com intensidade. Caso opte por disputar uma vaga na Câmara Federal, lideranças políticas avaliam que ele largaria com vantagem significativa, com projeções que ultrapassam os 200 mil votos, garantindo praticamente de saída uma das 25 cadeiras de Pernambuco. A mudança de partido, contudo, exigirá também a troca do tradicional número 22, símbolo eleitoral do bolsonarismo e hoje pertencente ao PL.
Na carta, Gilson faz questão de reforçar sua fidelidade política a Jair Bolsonaro e ao senador Flávio Bolsonaro. Ele relata que não conseguiu comunicar sua decisão pessoalmente ao ex-presidente em razão da prisão domiciliar determinada pelo ministro Alexandre de Moraes. O ex-ministro responde a inquérito no Supremo Tribunal Federal, sob acusação de tentar auxiliar o coronel Mauro Cid na obtenção de um passaporte português — fato que ele nega.
O tom do documento mistura desabafo, reafirmação ideológica e sinalização eleitoral. Gilson destaca sua contribuição ao crescimento do PL, lembra os mais de 1,3 milhão de votos obtidos em 2022 e reafirma que deixa o partido, mas não abandona o projeto político nem os valores conservadores. Ao final, promete seguir “na linha de frente” da luta pela liberdade de expressão e contra o que chama de perseguições políticas.
A carta, mais do que um comunicado formal, funciona como um recado direto à base bolsonarista e ao cenário político nacional: Gilson Machado deixa o PL, mas mantém viva a ambição de protagonismo e a identidade com o bolsonarismo que o projetou.
ÍNTEGRA DA CARTA
Carta ao Partido Liberal e aos conservadores e liberais do Brasil
Comunico meu desligamento do Partido Liberal (PL) com a consciência tranquila de quem cumpriu o dever como cidadão e gestor de políticas públicas. Com lealdade, coragem e trabalho.
Troco de partido, mas não de lado. Sigo fiel aos meus ideais e valores.
Sempre leal ao Presidente Jair Bolsonaro e ao Senador Flávio Bolsonaro.
Minha relação com o presidente não é de circunstância, foi e é uma parceria construída e baseada na confiança, valores e projetos em comum por um Brasil melhor e mais justo.
Continuo sendo o nome defendido pelo Presidente Jair Bolsonaro para a disputa ao Senado por Pernambuco.
Porém não sou o nome escolhido pela direção estadual do partido para essa missão.
Dessa forma sigo minha caminhada alinhada aos valores do Presidente Bolsonaro.
Minha intenção é somar e unir forças de forma positiva para o desenvolvimento do Brasil.
No PL, contribuí efetivamente para o fortalecimento da legenda, por meio de mobilizações populares e obtendo mais de 1,3 milhão de votos em 2022, além de repetir o segundo lugar em 2024, resultado direto da força da base e do povo nordestino.
Por estar, neste momento, com restrições de deslocamento e impedido de sair de Recife, não pude comunicar pessoalmente minha decisão ao Presidente Jair Bolsonaro.
A decisão, contudo, foi compartilhada com meus amigos Flávio Bolsonaro e Renato Bolsonaro, que compreenderam que este novo passo fortalece nosso projeto político para 2026.
Seguirei na linha de frente da luta pela liberdade de expressão e contra as perseguições políticas, pautada nos valores conservadores e pelo respeito ao serviço público e às responsabilidades que se requerem.
Sigo no projeto para uma nação cada vez mais soberana para Pernambuco e o Brasil.
Gilson Machado
Bolsonarista
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