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domingo, 25 de janeiro de 2026

GOVERNADORES REPENSAM SENADO POR MEDO DE “TRAIÇÃO”: BRANDÃO E ROCHA PODEM DESISTIR MESMO SENDO FAVORITOS

Em um cenário político que ganha novos contornos às vésperas das eleições de outubro de 2026, dois governadores que lideram pesquisas de intenção de voto para o Senado — Carlos Brandão, no Maranhão, e Marcos Rocha, em Rondônia — estão seriamente considerando desistir de suas candidaturas por um motivo pouco convencional: o receio de entregar o governo estadual nas mãos de seus próprios vices, agora vistos como potenciais adversários. 

No Maranhão, Brandão tem consistentemente aparecido à frente em levantamentos eleitorais para senador, em cenários em que chega a superar até nomes consolidados na política local. Apesar desse destaque nas pesquisas, ele tem reforçado a intenção de permanecer no governo até o fim do mandato, em dezembro, o que o impediria de concorrer ao Senado, já que a legislação eleitoral exige a desincompatibilização até abril. A razão explícita para essa resistência é a desconfiança em relação ao vice-governador Felipe Camarão, que se aproximou de grupos políticos contrários ao atual governo. Brandão chegou a afirmar que prefere manter o cargo executivo a “entregar o governo a alguém que se juntou com meus opositores”

A situação em Rondônia espelha esse dilema de poder e confiança. Embora Marcos Rocha também surja em posições de destaque nas intenções de voto para o Senado, ele vive uma relação fragilizada com seu vice, Sérgio Gonçalves. A animosidade entre os dois teve um episódio público no ano passado, quando o vice, aproveitando-se da ausência do governador em viagem internacional, acionou a Justiça para suspender uma lei que permitia a Rocha continuar exercendo o cargo mesmo fora do estado. Esse episódio criou uma ruptura de confiança que levou o governador a considerar seriamente retomar seus planos de permanecer no comando do Executivo estadual em vez de disputar o Senado, pois, nas palavras dele, “é muito difícil entregar o governo nas mãos de alguém que me traiu”

Essas hesitações revelam que, mesmo em estados onde o nome de um governador é forte e competitivo para uma vaga no Congresso, as relações internas de poder e lealdade no âmbito estadual podem ser mais decisivas do que as próprias pesquisas eleitorais. A reflexão de ambos sobre seguir ou não com suas candidaturas tem potencial para alterar profundamente o tabuleiro eleitoral local, abrindo espaço para novos candidatos e gerando repercussões diretas nas alianças políticas regionais. 

No Maranhão, por exemplo, a possível permanência de Brandão no governo pode colocar seu grupo político em rota de colisão com outros nomes fortes na disputa pelo Senado ou pela sucessão estadual, redesenhando as estratégias de partidos e lideranças. Já em Rondônia, a indefinição de Rocha sobre entrar ou não na corrida pelo Senado deixa em aberto a possibilidade de fragmentação do campo político local e redistribuição de apoio entre os pré-candidatos. 

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