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segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

GUERRA SILENCIOSA PELO SENADO EXPÕE RACHAS, PRESSÕES E JOGO PESADO NA CHAPA DE JOÃO CAMPOS

Faltando pouco mais de dois meses para o prazo de desincompatibilização, a corrida pelas duas vagas ao Senado na chapa encabeçada pelo prefeito do Recife, João Campos (PSB), deixou de ser uma articulação de bastidores para se transformar em uma disputa aberta, marcada por recados públicos, insinuações estratégicas e movimentos que beiram a chantagem política. O que antes era tratado como construção de unidade dentro do campo governista agora revela fissuras profundas entre aliados que, na prática, disputam espaço, influência e o peso do apoio do presidente Lula em Pernambuco.

O episódio mais ruidoso partiu do ministro de Portos e Aeroportos, Sílvio Costa Filho (Republicanos). Em entrevista recente, ele fez questão de afirmar que teria recebido do próprio Lula a garantia de apoio ao seu nome e ao do senador Humberto Costa (PT). Ao declarar que João Campos tem “pleno conhecimento” desse suposto aval presidencial, o ministro elevou o tom e colocou o prefeito numa posição delicada: ou confirma a versão e se alinha à imposição, ou desmente, criando ruído com um integrante do primeiro escalão do governo federal. A fala soou, entre aliados do PSB, como uma tentativa explícita de constranger a condução da montagem da chapa.

Se de um lado há pressão direta, de outro há movimentos mais sutis, mas igualmente incômodos. O ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho (União Brasil), que vinha sendo visto como um nome em diálogo avançado com João Campos, passou a adotar um discurso ambíguo. Em entrevistas, evitou cravar apoio ao socialista, sinalizou que a federação União Progressista pode pender para o palanque da governadora Raquel Lyra (PSD) e ainda fez críticas às gestões do PSB na área da saúde. Nos bastidores, a leitura foi clara: Miguel joga com a possibilidade de mudar de lado para aumentar seu poder de barganha. A mensagem é de que seu apoio não é automático e tem preço político.

As declarações não passaram em branco. A ex-deputada Marília Arraes (Solidariedade), também pré-candidata ao Senado e prima de João Campos, reagiu de forma indireta, mas contundente. Em agendas pelo Sertão, defendeu maturidade política, criticou atitudes que criam problemas dentro do próprio campo e afirmou que o Senado exige fidelidade e coerência. Sem citar nomes, o alvo ficou evidente. Marília, embora reconhecida como nome de menor estrutura partidária, aposta no recall eleitoral de 2022 e se coloca como alternativa com identidade própria, mirando eleitores que valorizam posição firme e alinhamento ideológico.

No meio desse fogo cruzado, o senador Humberto Costa é, até agora, o único nome tratado como praticamente certo na chapa de João Campos. Em tom bem mais moderado que os demais, ele tem defendido a continuidade da aliança histórica entre PT e PSB em Pernambuco, ainda que admita os altos e baixos da relação. Humberto também não descarta que Lula possa ter dois palanques no estado, reconhecendo o espaço político que a governadora Raquel Lyra vem ocupando ao se aproximar do governo federal. Ainda assim, reforça que o PT trabalhará para que o presidente esteja no palanque onde o partido estiver.

Enquanto isso, no campo adversário, a governadora Raquel Lyra observa a turbulência alheia sem pressa de mostrar todas as cartas. Um dos nomes que pode pesar nessa equação é o deputado federal Eduardo da Fonte (PP), que comandará em Pernambuco a federação União Progressista. Com cargos na gestão estadual e posição hierárquica relevante dentro da federação, ele tem poder para influenciar o rumo de lideranças como Miguel Coelho. Mesmo assim, mantém postura cautelosa e evita anunciar de que lado estará na disputa pelo Senado.

Caso opte por Raquel, Eduardo da Fonte poderá entrar numa concorrência interna que inclui o ex-prefeito de Jaboatão, Anderson Ferreira, e possivelmente o senador Fernando Dueire (MDB), que assumiu o mandato como suplente de Jarbas Vasconcelos. Corre ainda por fora o nome do ex-senador Armando Monteiro, hoje no Podemos, mostrando que a disputa pelas duas cadeiras pernambucanas na Câmara Alta está longe de se limitar a um único bloco político.

Com tantos interesses em jogo, a definição da chapa de João Campos deixou de ser apenas uma escolha estratégica e virou um teste de liderança. Cada declaração pública, cada gesto calculado e cada silêncio eloquente revelam que, por trás do discurso de unidade, há uma batalha intensa por espaço, protagonismo e sobrevivência política em 2026.

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