quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

ISOLAMENTO POLÍTICO EXPÕE FRAGILIDADE DE GILSON MACHADO NO PL PERNAMBUCANO

O ex-ministro do Turismo do governo Jair Bolsonaro, Gilson Machado, atravessa um momento de claro esvaziamento político dentro do Partido Liberal em Pernambuco. Antes figura frequente nos holofotes bolsonaristas, hoje ele é visto por dirigentes e quadros da legenda como um personagem isolado, com baixa capacidade de articulação interna e pouca influência nas decisões estratégicas do partido no estado.

Nos bastidores do PL, a avaliação é praticamente unânime: Gilson Machado atua de forma desagregadora, sem conseguir construir consensos ou reunir apoio sólido. Suas tentativas de manter protagonismo político têm se limitado, majoritariamente, à produção de vídeos nas redes sociais, que circulam entre um público restrito e não se convertem em força partidária real. Sem o respaldo direto e constante de Jair Bolsonaro, de quem sempre foi aliado próximo, o ex-ministro perdeu o principal pilar de sustentação de seu capital político.

Enquanto Gilson Machado se mantém à margem, o PL pernambucano vive um movimento oposto. O partido tem intensificado reuniões internas, promovido alinhamento entre seus diretórios municipais e fortalecido a articulação estadual com foco claro nas eleições de 2026. A prioridade da legenda é a construção de um projeto competitivo para o Senado, e, nesse desenho, há um nome que se destaca como consenso absoluto: Anderson Ferreira.

Ex-prefeito de Jaboatão dos Guararapes e liderança consolidada no campo conservador em Pernambuco, Anderson Ferreira reúne o que o PL considera essencial neste momento: capacidade de diálogo interno, capilaridade eleitoral e sintonia com o projeto nacional do partido. Diferentemente de Gilson Machado, Anderson mantém trânsito entre lideranças locais, parlamentares e a direção nacional da sigla, sendo visto como o nome capaz de unificar o partido em torno de uma candidatura majoritária viável.

Dirigentes avaliam que o contraste entre os dois perfis é evidente. De um lado, Anderson Ferreira atua nos bastidores, costura alianças e participa ativamente das decisões estratégicas do PL. Do outro, Gilson Machado permanece isolado, apostando em discursos individuais e na memória de uma relação política que já não exerce o mesmo peso de outrora.

Sem a amizade próxima e a força política direta de Bolsonaro pai, Gilson Machado enfrenta dificuldades para se reposicionar. O que antes era visto como lealdade ao bolsonarismo hoje é interpretado internamente como falta de projeto coletivo. No PL pernambucano, o recado parece claro: a legenda caminha de forma organizada e com foco definido, enquanto o ex-ministro assiste, à distância, ao avanço de um projeto do qual já não faz parte.

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