quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

JOÃO CAMPOS SEGURA O JOGO DA VICE, ENQUANTO ÁLVARO PORTO GANHA FORÇA NOS BASTIDORES DA OPOSIÇÃO EM PERNAMBUCO

Ainda em meio às articulações para fechar o desenho da chapa majoritária de 2026, o prefeito do Recife e pré-candidato ao Governo de Pernambuco, João Campos (PSB), observa com cautela o crescimento de movimentos políticos que defendem o nome do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Álvaro Porto, como opção para a vaga de vice-governador. A movimentação ocorre nos bastidores e reflete, sobretudo, o papel estratégico que Porto passou a desempenhar desde que rompeu politicamente com a governadora Raquel Lyra, a quem apoiou no segundo turno das eleições de 2022.

Hoje alinhado ao PSB, Álvaro Porto comanda o principal bloco de oposição na Alepe, formado majoritariamente por deputados socialistas, e tornou-se uma peça central no enfrentamento político ao Palácio do Campo das Princesas. Sob sua liderança, a Assembleia viveu episódios de forte embate institucional, como o adiamento da votação de empréstimos considerados prioritários pelo governo, a reconfiguração das principais comissões permanentes — movimento que resultou na perda de espaço da base governista — e até a tentativa de instalação de uma CPI, posteriormente barrada pelo Tribunal de Justiça sob o argumento de inexistência de objeto.

Apesar desse protagonismo e da pressão crescente para que seu nome seja considerado, João Campos não demonstra pressa para tratar da composição da vice. A estratégia do prefeito segue o padrão adotado em 2024, quando ignorou as expectativas do PT, que indicava o médico Mozart Sales para compor a chapa no Recife, e optou por uma escolha interna: Victor Marques, aliado de confiança, amigo pessoal e companheiro dos tempos de estudante. O episódio deixou claro que, para João, a vaga de vice é uma decisão pessoal e estratégica, não necessariamente fruto de acordos partidários antecipados.

Mesmo assim, razões não faltariam para justificar uma eventual escolha de Álvaro Porto. Além de garantir sustentação política ao PSB dentro da Assembleia, o deputado tornou-se um dos principais canais de diálogo entre João Campos e o interior do Estado — território amplamente dominado pela governadora Raquel Lyra, que conta hoje com o apoio de mais de 120 prefeitos. Em regiões onde não há agendas festivas ou eventos institucionais que facilitem a presença direta de um pré-candidato ao governo, Porto tem funcionado como ponte política, reunindo lideranças, abrindo portas e ampliando o alcance do projeto oposicionista.

Um exemplo claro dessa capacidade de articulação foi a confraternização natalina promovida pelo deputado no final do ano passado. O evento extrapolou o caráter festivo e se consolidou como um verdadeiro ato político, reunindo prefeitos, lideranças do interior, deputados estaduais e federais, além dos principais nomes cotados para disputar o Senado pela oposição. João Campos foi o grande destaque da noite, ao lado de figuras como Miguel Coelho, Silvio Costa Filho e Marília Arraes, reforçando a leitura de que o encontro funcionou como uma prévia do palanque que se desenha para 2026.

Enquanto enfrenta ruídos e disputas internas na definição dos nomes ao Senado, João Campos parece disposto a manter a vice em banho-maria. A leitura predominante entre aliados é de que qualquer antecipação poderia engessar o jogo político ou gerar conflitos desnecessários dentro da Frente Popular. Álvaro Porto, por sua vez, segue ampliando seu raio de influência, fortalecendo-se como operador político da oposição e deixando claro que, mesmo sem anúncio formal, já ocupa um espaço relevante no tabuleiro eleitoral pernambucano.

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