Entre os casos mais críticos está a Barragem de Jucazinho, a sexta maior do estado e uma das mais estratégicas para o Agreste Setentrional. O reservatório chegou a um nível extremamente baixo, operando atualmente com apenas 0,83% da sua capacidade total. O quadro compromete diretamente o abastecimento de uma extensa área que inclui municípios como Surubim, Casinhas, Frei Miguelinho, Santa Maria do Cambucá, Vertentes, Vertente do Lério, Toritama, Cumaru, Passira e Salgadinho, afetando milhares de famílias que dependem quase exclusivamente do sistema.
A Apac destaca que, dos 23 reservatórios em colapso, ao menos 10 têm como finalidade principal o abastecimento humano, o que amplia os impactos sociais da crise. A falta de água não se limita ao consumo doméstico, atingindo também a atividade econômica, a produção agrícola e a qualidade de vida da população, sobretudo nas regiões mais vulneráveis.
De acordo com o coordenador de monitoramento de recursos hídricos da Apac, Wagner Felipe, o agravamento do cenário já era previsto, principalmente no Sertão e no Agreste. Ele explica que, mesmo quando há registros de chuvas próximas da média em algumas áreas, os reservatórios dessas regiões exigem volumes muito elevados de precipitação para que haja uma recuperação significativa. Além disso, características do solo, que favorecem a rápida infiltração da água, reduzem o escoamento superficial para rios e bacias hidrográficas, limitando a recarga dos reservatórios. Atualmente, 17 barragens em colapso estão localizadas no Sertão, quatro no Agreste, uma na Mata Norte e uma na Mata Sul.
Diante da situação crítica de Jucazinho, a Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) informou que medidas emergenciais estão sendo adotadas para tentar minimizar os efeitos da escassez. Segundo o diretor de Produção e Planejamento Operacional, Flávio Coutinho, está prevista até o fim de janeiro a entrada de água do Rio São Francisco no sistema que abastece os municípios de Riacho das Almas, Cumaru e Passira. A medida tem como objetivo reduzir a pressão sobre o reservatório e garantir, ao menos parcialmente, a continuidade do abastecimento.
Mesmo com essas ações pontuais, o cenário geral aponta para uma piora significativa em relação a agosto de 2025, quando Pernambuco contabilizava 16 barragens em colapso. O avanço da crise hídrica evidencia a urgência de soluções estruturais de médio e longo prazo, incluindo a ampliação e o fortalecimento das adutoras da Transposição do Rio São Francisco, além de investimentos em gestão, monitoramento e uso racional da água.
A situação de Jucazinho simboliza um problema mais amplo que atinge todo o estado e reforça a necessidade de planejamento hídrico integrado para garantir segurança no abastecimento, especialmente para as cidades que dependem diretamente de reservatórios já próximos do esgotamento.
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