Espécie altamente adaptada e com histórico produtivo milenar, assim como o bovino nelore, originário da Índia, encontrou nos estados de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul condições ideais para seu pleno desenvolvimento, e o búfalo se adaptou plenamente à Ilha de Marajó, o jumento nordestino, trazido da África, estabeleceu no semiárido do Nordeste brasileiro uma relação de adaptação tão eficiente que o bioma passou a se confundir com seu ambiente de origem.
Trata-se de uma simbiose produtiva: uma relação funcional, harmônica e altamente eficiente entre a espécie e o território, resultado da combinação entre rusticidade, adaptação fisiológica e potencial econômico.
O jumento (Equus asinus) é uma das primeiras espécies domesticadas pela humanidade e integra as sociedades humanas há mais de 5 mil anos, com contribuições históricas no trabalho agrícola, transporte, tração e, mais recentemente, na produção de leite, carne e colágeno, segmentos que vêm despertando crescente interesse no mercado internacional.
A espécie apresenta elevada adaptação térmica, eficiente aproveitamento da matéria seca e reduzida exigência hídrica, o que permite boa manutenção corporal em regiões áridas e semiáridas, mesmo com alimentação de baixa qualidade, suplementação mínima e menor ingestão de água. Jumentos e camelos figuram entre as espécies mais aptas a enfrentar longos períodos de seca quando comparadas a outros tipos de gado.
Mesmo diante do abandono não intencional ocorrido ao longo de décadas, os jumentos nordestinos seguem se reproduzindo naturalmente, reflexo direto de sua excelente adaptação. Por esse motivo, o risco de extinção da espécie nunca se configurou como uma ameaça real. Esse cenário é reforçado pelas cadeias produtivas organizadas das raças Pêga e Brasileira, que somam mais de 70 mil animais de alto valor genético e comercial, rigorosamente controlados por associações de criadores.
Evidências científicas e oportunidade econômica para o Brasil
Experimentos conduzidos pela Universidade Federal do Agreste de Pernambuco (UFAPE) comprovam, na prática, a viabilidade econômica da asinocultura no Nordeste. Segundo Jorge Lucena, zootecnista, professor associado e coordenador da pós-graduação da instituição, os estudos demonstraram que os jumentos atingiram 100 quilos de peso vivo aos oito meses de idade, logo após o desmame, alimentando-se exclusivamente de pastagens naturais e leite materno.
Os resultados evidenciam um sistema produtivo de baixo custo, alta eficiência biológica e plena adequação às condições do semiárido, consolidando a criação de jumentos como uma alternativa sustentável para o agronegócio regional.
Diante desse cenário, o Brasil reúne condições técnicas e ambientais para se posicionar como player estratégico no fornecimento de proteína e colágeno asinino, especialmente para os mercados asiáticos, onde esses produtos apresentam alta demanda e valor agregado, abrindo novas frentes de geração de renda, emprego e desenvolvimento econômico no semiárido nordestino.
Ascom Nordeste Agropecuária Comércio e Indústria Ltda
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