A revelação marca uma virada profunda na carreira de Kajuru, conhecido nacionalmente por seu estilo combativo e por não poupar críticas nem mesmo a aliados. De acordo com o próprio senador, havia interesse do PSB para que ele disputasse uma vaga de deputado federal por São Paulo, movimento que teria sido estimulado por conversas com o ministro do Empreendedorismo, Márcio França, também filiado à sigla. Kajuru, no entanto, deixou claro que a ideia não partiu de sua vontade pessoal. Ele afirmou que, se continuasse na política, preferiria concorrer por Goiás, estado pelo qual foi eleito senador.
Mesmo reconhecendo que possui boa aceitação em São Paulo e lembrando que é paulista de origem, Kajuru foi direto ao afirmar que a política “não o atrai mais em nada”. A comunicação oficial de sua decisão ao PSB deve ocorrer ainda nesta semana.
A saída de cena acontece após um período de sucessivos problemas de saúde. Em 2025, o senador chegou a se licenciar do mandato por 30 dias para tratar insônia, depressão, fraqueza muscular e pólipos no intestino. Diabético, Kajuru já enfrentou outros desafios médicos desde o início de sua trajetória no Congresso. Ele está no Senado desde 2019, mesmo ano em que passou por uma cirurgia para retirada de um tumor no pâncreas.
Paralelamente às questões de saúde, Kajuru vinha demonstrando crescente insatisfação com o funcionamento do Parlamento. Em 2024, criticou publicamente o que classificou como excesso de dias sem atividade no Congresso Nacional, apontando prejuízos aos trabalhos legislativos. Também reclamou que a realização da Cúpula dos Parlamentares do G20, em novembro, atrapalhou o andamento da CPI da Manipulação de Jogos e Apostas Esportivas, comissão que ele presidia.
A trajetória política de Kajuru começou antes do Senado. Ele foi vereador de Goiânia e se destacou ao se tornar o mais votado da história do município. Em 2018, consolidou sua força eleitoral ao conquistar uma vaga no Senado por Goiás com mais de 1,5 milhão de votos.
Agora, ao anunciar o afastamento da vida pública, Kajuru encerra um ciclo marcado por embates, denúncias e forte presença midiática, trocando os holofotes da política por um foco integral na própria saúde.
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