O peso desse momento não vem apenas da longevidade política, mas, sobretudo, do desempenho recente. No fim de 2025, Mendonça foi apontado como o segundo melhor deputado federal do Brasil e o primeiro do Nordeste e de Pernambuco no Ranking dos Políticos, uma das avaliações mais respeitadas do Legislativo. Pouco depois, seu nome voltou a ganhar projeção ao figurar entre os 30 congressistas mais influentes do país, segundo o Prêmio Valoriza Parlamento. Para analistas políticos ouvidos reservadamente, essa dupla chancela o coloca em um patamar acima da média. “Não é só popularidade; é reconhecimento institucional, algo que pesa muito em ano eleitoral”, avalia um consultor legislativo que acompanha de perto a atuação da Câmara.
A projeção nacional foi impulsionada pela atuação como relator da PEC da Segurança Pública, uma das matérias mais sensíveis e debatidas do Congresso nos últimos anos. Ao assumir a relatoria, Mendonça evitou o caminho fácil do discurso inflamado e apostou na construção técnica e no diálogo. O relatório apresentado propôs medidas duras, como o fim da progressão de pena para crimes graves, ao mesmo tempo em que defendeu maior integração entre União, estados e municípios na governança da segurança pública. Lideranças de diferentes partidos reconheceram o equilíbrio do texto. Um deputado do centro afirma, sob reserva, que “foi um raro caso em que a relatoria conseguiu unir rigor e responsabilidade institucional”.
Esse perfil tem sido apontado como um diferencial estratégico. Em um Congresso cada vez mais marcado por disputas ideológicas ruidosas, Mendonça se consolidou como um parlamentar de entregas concretas. Para aliados, sua postura reforça a imagem de alguém que resolve problemas em vez de amplificá-los. “Ele não precisa gritar para ser ouvido. Quando fala, o plenário escuta”, resume um dirigente partidário do Nordeste.
A trajetória ajuda a explicar esse posicionamento. Mendonça carrega no currículo passagens pelo Executivo estadual, incluindo o governo de Pernambuco, e pelo Executivo federal, quando foi ministro da Educação, além de sucessivos mandatos no Legislativo. Essa vivência múltipla o transformou em uma referência quando o tema envolve gestão pública, responsabilidade fiscal ou desenho institucional de políticas. Para cientistas políticos, trata-se de um ativo valioso em um momento em que parte do eleitorado demonstra cansaço com discursos vazios. “Existe uma parcela crescente que busca previsibilidade e competência. Mendonça dialoga bem com esse eleitor”, avalia um professor de ciência política da UFPE.
Do lado da oposição, o reconhecimento também aparece, ainda que acompanhado de ressalvas. Um adversário político admite que Mendonça chega forte para 2026, mas pondera que o cenário eleitoral em Pernambuco é volátil. “Ele tem estrutura, tem currículo e tem visibilidade. O desafio será traduzir isso em voto em um ambiente cada vez mais fragmentado”, afirma.
Nos bastidores, a leitura predominante é de que a reeleição está bem encaminhada, salvo mudanças bruscas no cenário político. A grande incógnita segue sendo o futuro partidário do deputado dentro da Federação. A dúvida sobre permanecer ou não no atual arranjo alimenta especulações e abre espaço para conversas em diferentes campos. Um líder partidário resume o clima: “Onde Mendonça estiver, ele agrega. Por isso, todos observam com atenção seus próximos movimentos”.
Enquanto o calendário eleitoral avança, Mendonça Filho segue ocupando um espaço singular: o de um parlamentar que combina reconhecimento técnico, influência política e baixa rejeição. Em um ano que promete disputas acirradas e muito ruído, ele aparece como um nome que aposta na credibilidade institucional como trunfo. A eleição ainda está distante, mas uma coisa já é consenso entre aliados e adversários: Mendonça entra em 2026 forte — e como peça central no tabuleiro político de Pernambuco.
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