O cenário ganhou força a partir das articulações em curso entre João Campos e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No núcleo governista, a leitura é de que Lula tem defendido uma composição para o Senado que contemple o senador Humberto Costa (PT) e, caso haja viabilidade política, o ministro dos Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho (Republicanos). A eventual consolidação desse desenho, no entanto, tem provocado desconforto e incerteza entre aliados de centro-direita, sobretudo em regiões estratégicas como o Sertão e o Agreste.
É nesse contexto que o nome de Miguel Coelho volta ao centro das discussões. O ex-prefeito de Petrolina, que tem buscado se posicionar como uma liderança sertaneja com projeção estadual, estaria disposto a ouvir lideranças do União Brasil sobre a viabilidade de retomar o diálogo com Raquel Lyra, mirando um projeto ao Senado fora do eixo liderado pelo PSB. A avaliação interna é de que a falta de garantias de espaço na chapa governista pode levar a uma redefinição de rumos.
Nos bastidores, um dos principais articuladores dessa possível mudança seria o ex-governador e deputado federal Mendonça Filho (União Brasil). Com influência histórica no partido e trânsito em diferentes campos políticos, Mendonça é apontado como peça-chave para estimular uma revisão estratégica por parte da família Bezerra Coelho. A leitura é de que uma aliança com a governadora poderia assegurar maior protagonismo ao grupo político do Sertão e ampliar sua competitividade em 2026.
Paralelamente a essas movimentações, Miguel Coelho tem reforçado um discurso de defesa do interior, especialmente na área da saúde. Recentemente, o ex-prefeito voltou a criticar o fato de Petrolina, maior cidade do Sertão pernambucano, ainda não contar com um hospital regional. Para ele, a ausência da unidade simboliza a falta de força política do interior nas grandes decisões do Estado e da União.
Ao abordar o tema, Miguel deixou claro que associa a solução do problema à eleição de um senador sertanejo comprometido com as pautas regionais. Segundo ele, Petrolina sempre se destacou pela autonomia política e pela capacidade de liderar o desenvolvimento do interior. “Petrolina não é conhecida por ser refém ou ficar a reboque nem de Governo do Estado, muito menos de Governo Federal. É da nossa força política que Petrolina, junto com o povo de Pernambuco, vai eleger um senador sertanejo para a gente poder fazer este hospital”, afirmou.
A defesa do hospital regional se insere em uma estratégia mais ampla de construção de imagem, na qual Miguel Coelho busca se apresentar como voz do Sertão e do interior de Pernambuco no Senado. Caso a aproximação com Raquel Lyra se confirme, o discurso ganha ainda mais peso, uma vez que a governadora tem concentrado esforços em ampliar sua base política fora da Região Metropolitana do Recife.
Se concretizada, a aliança entre Miguel Coelho e Raquel Lyra poderá provocar um redesenho relevante da centro-direita no Estado, alterando correlações de força no interior e influenciando diretamente a formação das chapas majoritárias de 2026. Mais do que uma simples mudança de palanque, o movimento sinalizaria uma disputa aberta pelo protagonismo político do Sertão e pela definição de quem terá voz decisiva nas grandes pautas de Pernambuco nos próximos anos.
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