Ao longo dos anos, a CODEAM consolidou-se como um espaço plural, onde prefeitos e ex-prefeitos, independentemente de posição política em suas bases eleitorais, sempre encontraram respeito, autonomia e liberdade para exercer suas funções. A própria Secretaria Executiva, até então, era ocupada por ex-gestores que, mesmo atuando como oposição em seus municípios, jamais sofreram qualquer tipo de constrangimento ou pressão. Esse equilíbrio, segundo Neide Reino, foi quebrado.
A ex-secretária relata que sua saída ocorreu por exigência direta do prefeito de Capoeiras, em um movimento que destoou do histórico institucional da entidade. A comunicação da demissão aconteceu no dia 24 de novembro, mas o desligamento oficial só foi efetivado em 5 de dezembro. Antes mesmo que sua família fosse informada formalmente, o episódio já havia sido comemorado e divulgado em blogs locais, ganhando repercussão regional e evidenciando o caráter político da decisão.
Neide faz questão de ressaltar que seu vínculo com a CODEAM era regido pela CLT e que não havia qualquer impedimento legal para sua permanência no cargo. Para ela, a exoneração não teve motivação administrativa ou técnica, mas foi fruto de interesses políticos e de disputas de poder que se sobrepuseram ao espírito municipalista que sempre norteou a instituição.
Com uma trajetória política sólida, Neide Reino não se coloca apenas como personagem do episódio, mas como herdeira e protagonista de uma história que atravessa mais de cinco décadas da política de Capoeiras. Filha de Manoel Reino, ex-vereador, ex-vice-prefeito e ex-prefeito por dois mandatos, integrante de uma família que também teve Neném de Olegário como vereador e prefeito, Neide construiu sua própria caminhada com dois mandatos de prefeita e dois de presidente da própria CODEAM. Uma trajetória que, segundo ela, fala por si e dispensa discursos defensivos.
Mesmo diante da forma como se deu sua saída, Neide adota um tom de firmeza e dignidade. Afirma seguir na luta, com a consciência tranquila e a convicção de que cumpriu seu dever público com responsabilidade, ética e compromisso com os municípios do Agreste Meridional. Em sua despedida, faz questão de agradecer a confiança recebida durante sua passagem pela CODEAM, destacando o apoio de Nogueira e de todos os funcionários da casa.
A saída de Neide Reino, mais do que um ato administrativo, expõe tensões políticas internas e reacende o debate sobre a autonomia das entidades municipalistas diante de pressões externas. Para Neide, no entanto, o episódio não representa derrota, mas a reafirmação de uma postura: a de quem sai de cabeça erguida, com a história preservada e a consciência limpa de quem sempre colocou o interesse público acima de disputas menores.
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