sábado, 17 de janeiro de 2026

NEM RUI, NEM HADDAD: PT DESENHA NOVA ESTRATÉGIA E APOSTA EM CAMILO SANTANA PARA A SUCESSÃO DE LULA

O partido dos Trabalhadores (PT) já iniciou, de forma reservada, as discussões sobre o futuro político do país no pós-Lula e trabalha para construir uma estratégia que garanta a permanência da legenda no comando do Palácio do Planalto. Diferentemente das apostas mais conhecidas, como o ex-governador da Bahia Rui Costa ou o ministro da Fazenda Fernando Haddad, a sigla avalia um novo nome para liderar o projeto petista nos próximos anos.

De acordo com informações divulgadas pela coluna Radar, da revista Veja, o plano em debate passa pela formação de uma chapa considerada “puro-sangue”, totalmente petista, encabeçada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas próximas eleições. O movimento teria como objetivo fortalecer internamente o partido e preparar, desde já, um sucessor competitivo para a disputa presidencial de 2030.

Nesse contexto, o nome do ministro da Educação, Camilo Santana (PT), surge como peça central da estratégia. A articulação prevê que Camilo seja alçado à condição de vice-presidente da República, substituindo Geraldo Alckmin (PSB) já no próximo pleito. A partir dessa posição, o petista teria sua imagem nacionalmente projetada, pavimentando o caminho para uma eventual candidatura à Presidência no futuro.

Internamente, Camilo Santana é visto como um político de perfil técnico e, ao mesmo tempo, experiente na articulação partidária. Diferentemente de Haddad, que foi candidato ao Planalto em 2018 e acabou derrotado por Jair Bolsonaro (PL), Camilo é apontado por dirigentes como alguém com “ofício político”, capaz de dialogar com diferentes setores e ampliar o alcance do PT além de suas bases tradicionais.

Com trajetória consolidada no Nordeste, Camilo governou o Ceará por dois mandatos consecutivos, entre 2015 e 2022, período em que ganhou projeção nacional pela condução de políticas públicas nas áreas de educação, segurança e desenvolvimento social. Em 2022, foi eleito senador da República, reforçando seu capital político e sua presença no cenário nacional.

A possível troca na vice-presidência, no entanto, não deixa de gerar ruídos. Geraldo Alckmin desempenha papel importante na atual gestão, especialmente na interlocução com o setor produtivo e em agendas de reconstrução institucional. Ainda assim, setores do PT avaliam que uma chapa integralmente petista facilitaria a manutenção do projeto político do partido no longo prazo.

Embora o debate ainda esteja nos bastidores, o movimento indica que o PT já começa a organizar o tabuleiro sucessório de Lula, sinalizando que a legenda pretende chegar a 2030 com um nome preparado, testado e com forte respaldo interno. Camilo Santana, ao que tudo indica, desponta como a aposta da vez nesse xadrez político que começa a ser jogado bem antes do tempo oficial.

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