Greovário Nicolas
Enquanto o país debate segurança, trânsito e responsabilidade civil, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) decidiu transformar a BR-040 em palco de seu espetáculo político. Sem comunicação prévia com a Polícia Rodoviária Federal, o parlamentar iniciou uma caminhada de cerca de 240 km de Paracatu até Brasília, alegando lutar “pela liberdade e pela justiça” em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro. O resultado? Um risco concreto e evitável para motoristas, pedestres e cidadãos que simplesmente trafegam pela rodovia.
A PRF não hesita ao classificar a iniciativa como de “riscos extraordinários” e alerta que a falta de planejamento impede qualquer medida de mitigação. Traduzindo: vidas estão à mercê de uma encenação política, enquanto órgãos competentes são informados apenas depois que a situação já está posta. A desculpa de que os ofícios foram enviados no mesmo dia do início do trajeto soa frágil e tardia diante do caos potencial na via.
Parlamentares de oposição não economizaram críticas. Rogério Correia (PT-MG) chamou a caminhada de “encenação” e lembrou que o objetivo declarado — garantir prisão domiciliar a Bolsonaro — é mera fantasia política. Célia Xakriabá (Psol-MG) ironizou que Nikolas “faz de tudo para não ter que trabalhar”, evidenciando que, mais uma vez, teatro político se sobrepõe à responsabilidade pública.
Mesmo o PL, partido do parlamentar, tenta emoldurar a ação como coragem e defesa da democracia, mas não consegue esconder a teatralidade. O ato, que se anuncia heroico e simbólico, é, na prática, uma provocação perigosa, um gesto de desrespeito com quem depende da segurança das rodovias brasileiras.
O deputado, acompanhado de outros parlamentares como Gustavo Gayer (PL-GO) e André Fernandes (PL-CE), insiste em transformar política em espetáculo, enquanto ignora regras básicas de proteção à vida e ao trânsito. O resultado é claro: um risco desnecessário para motoristas, pedestres e a própria equipe que o acompanha, tudo em nome de um simbolismo que beira a imprudência.
Em um país onde a política já desperta ceticismo, atitudes como esta não podem ser romantizadas como coragem ou idealismo. Colocar vidas em risco por uma encenação política não é liberdade, é irresponsabilidade. Nikolas Ferreira transformou a BR-040 em palco de seu circo particular, e o público que paga o preço dessa peça é a população que trafega diariamente pela rodovia. A pergunta que fica é simples: até quando a teatralidade política vai se sobrepor à segurança de todos?
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