sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

PORTO DE GALINHAS SENTE O PESO DA VIOLÊNCIA E COMEÇA 2026 COM PRAIA ESVAZIADA E TURISTAS DESCONFIADOS

Com informações do repórter Waldson Balbino, da TV Jornal


Conhecida internacionalmente como um dos cartões-postais mais famosos de Pernambuco, a praia de Porto de Galinhas, no município de Ipojuca, iniciou o ano de 2026 em um clima bem diferente do habitual. Na manhã desta quarta-feira (1º), primeiro dia do novo ano, a movimentação foi considerada fraca, contrastando com o cenário de lotação que tradicionalmente marca o período de alta estação.

Por volta das 10h, o que se via ao longo da orla eram cadeiras desocupadas, guarda-sóis sobrando e pouca procura pelos serviços oferecidos pelas barracas. Profissionais que atuam diretamente com o turismo na região perceberam a mudança. Um condutor de visitantes relatou que, no mesmo dia em 2025, a praia estava tomada por turistas, com intensa circulação de pessoas e consumo elevado nos estabelecimentos da orla.


A retração no fluxo de visitantes ocorre pouco mais de uma semana após um episódio de violência que ganhou grande repercussão. No dia 27 de dezembro, uma confusão envolvendo barraqueiros e um casal de turistas do Mato Grosso terminou em agressão, abalando a imagem de um destino até então associado à tranquilidade e ao lazer familiar. Desde então, o receio passou a fazer parte da experiência de quem visita o local.

Além da agressão, o caso reacendeu um debate antigo sobre práticas consideradas abusivas por frequentadores da praia, como a cobrança de consumação mínima, taxas não informadas previamente e a chamada venda casada. Reclamações desse tipo já vinham sendo feitas por turistas há anos, mas ganharam ainda mais força após o episódio de violência.

Mesmo com a presença de famílias e grupos espalhados pela faixa de areia, muitos visitantes optaram por não utilizar as barracas. Houve quem preferisse levar cadeiras, bebidas e alimentos por conta própria, evitando qualquer tipo de contato comercial, numa demonstração clara de desconfiança e cautela.


Diante da repercussão negativa, a Prefeitura de Ipojuca reagiu publicando um decreto que endurece as regras para o comércio na orla de Porto de Galinhas. O texto proíbe expressamente a cobrança de consumação mínima, taxas indevidas e a prática de venda casada, além de estabelecer punições para os permissionários que descumprirem as determinações. O decreto também prevê o reforço da fiscalização como forma de garantir o cumprimento das normas.

No entanto, já no primeiro dia de vigência das novas regras, surgiram relatos contraditórios. Uma turista afirmou à TV Jornal que foi cobrada por consumação mínima mesmo após a publicação do decreto. Por outro lado, outro visitante contou que utilizou uma barraca sem qualquer exigência desse tipo, o que indica falhas na aplicação uniforme das medidas adotadas pelo poder público.

O cenário evidencia que, apesar das ações anunciadas, Porto de Galinhas ainda enfrenta o desafio de reconquistar a confiança dos turistas. Em um destino que depende fortemente do turismo para movimentar a economia local, o início tímido de 2026 serve de alerta: garantir segurança, respeito ao consumidor e fiscalização efetiva deixou de ser apenas uma demanda e passou a ser uma necessidade urgente para evitar impactos ainda maiores na imagem e na atividade turística da região.

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