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quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

POUSOS IRREGULARES DE HELICÓPTEROS EM CARNEIROS ACENDEM ALERTA AMBIENTAL E AMEAÇAM SEGURANÇA DE BANHISTAS

A Praia dos Carneiros, símbolo do turismo pernambucano e vitrine natural do Litoral Sul, voltou ao centro de uma controvérsia que mistura risco humano, fragilidade ambiental e ausência de fiscalização. Relatos recentes de pousos e decolagens de helicópteros em áreas de restinga e nas proximidades da faixa de areia têm provocado apreensão entre moradores, trabalhadores e turistas que frequentam um dos destinos mais visitados do estado.

De acordo com testemunhos colhidos no local, as operações aéreas acontecem sem qualquer tipo de isolamento, sinalização ou protocolo visível de segurança. O barulho intenso, a movimentação repentina das aeronaves e a proximidade com pessoas em circulação transformam momentos de lazer em cenas de tensão, expondo banhistas, comerciantes e moradores a riscos reais de acidentes.

Além do perigo imediato à integridade física das pessoas, a prática levanta um sinal de alerta ainda maior do ponto de vista ambiental. As áreas utilizadas para pouso incluem trechos de restinga — ecossistema costeiro considerado altamente sensível e essencial para o equilíbrio do litoral. A vegetação exerce papel fundamental na fixação das dunas, na contenção da erosão marinha e na preservação da biodiversidade local, funcionando como uma verdadeira barreira natural de proteção da costa.

A legislação ambiental é clara. O Código Florestal (Lei nº 12.651/2012) classifica a restinga como Área de Preservação Permanente (APP) quando cumpre funções de proteção da linha de costa ou estabilização de dunas, o que torna proibidas intervenções que comprometam sua integridade, salvo exceções muito específicas e previamente autorizadas. O uso dessas áreas para operações aéreas, sem transparência sobre licenças ou autorizações, reforça a percepção de irregularidade.

A indignação cresce à medida que a prática se soma a outras ocupações já questionadas ambientalmente na região. Para moradores, o cenário reflete uma falta de ordenamento da orla e de controle efetivo sobre atividades que impactam diretamente o patrimônio natural de Tamandaré. “É como se tudo fosse permitido, mesmo colocando vidas em risco e degradando o meio ambiente”, relatam frequentadores da praia.

Diante da situação, aumentam as cobranças por respostas oficiais. Órgãos como a Área de Proteção Ambiental (APA) de Carneiros, a Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH), a Prefeitura de Tamandaré e a Câmara de Vereadores são pressionados a esclarecer se existem autorizações formais para os pousos e quais medidas de fiscalização estão sendo adotadas para coibir possíveis abusos.

A gestão municipal também entra no centro das críticas. Moradores afirmam que o prefeito Izaías Honorato tem demonstrado pouca reação diante dos problemas enfrentados pelo município, que vão desde lixo acumulado e falta de medicamentos até a desordem ambiental na orla. Para a população, o cenário atual em Carneiros reforça a sensação de abandono e a ausência de políticas públicas eficazes para conciliar turismo, segurança e preservação ambiental.

Enquanto isso, a expectativa é de que os órgãos competentes se manifestem de forma clara e adotem providências urgentes. Em jogo estão não apenas a imagem de um dos principais cartões-postais de Pernambuco, mas também a segurança de quem vive e visita a região e a preservação de um ecossistema que, uma vez degradado, pode levar décadas para se recuperar.

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