De acordo com testemunhos colhidos no local, as operações aéreas acontecem sem qualquer tipo de isolamento, sinalização ou protocolo visível de segurança. O barulho intenso, a movimentação repentina das aeronaves e a proximidade com pessoas em circulação transformam momentos de lazer em cenas de tensão, expondo banhistas, comerciantes e moradores a riscos reais de acidentes.
Além do perigo imediato à integridade física das pessoas, a prática levanta um sinal de alerta ainda maior do ponto de vista ambiental. As áreas utilizadas para pouso incluem trechos de restinga — ecossistema costeiro considerado altamente sensível e essencial para o equilíbrio do litoral. A vegetação exerce papel fundamental na fixação das dunas, na contenção da erosão marinha e na preservação da biodiversidade local, funcionando como uma verdadeira barreira natural de proteção da costa.
A legislação ambiental é clara. O Código Florestal (Lei nº 12.651/2012) classifica a restinga como Área de Preservação Permanente (APP) quando cumpre funções de proteção da linha de costa ou estabilização de dunas, o que torna proibidas intervenções que comprometam sua integridade, salvo exceções muito específicas e previamente autorizadas. O uso dessas áreas para operações aéreas, sem transparência sobre licenças ou autorizações, reforça a percepção de irregularidade.
A indignação cresce à medida que a prática se soma a outras ocupações já questionadas ambientalmente na região. Para moradores, o cenário reflete uma falta de ordenamento da orla e de controle efetivo sobre atividades que impactam diretamente o patrimônio natural de Tamandaré. “É como se tudo fosse permitido, mesmo colocando vidas em risco e degradando o meio ambiente”, relatam frequentadores da praia.
Diante da situação, aumentam as cobranças por respostas oficiais. Órgãos como a Área de Proteção Ambiental (APA) de Carneiros, a Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH), a Prefeitura de Tamandaré e a Câmara de Vereadores são pressionados a esclarecer se existem autorizações formais para os pousos e quais medidas de fiscalização estão sendo adotadas para coibir possíveis abusos.
A gestão municipal também entra no centro das críticas. Moradores afirmam que o prefeito Izaías Honorato tem demonstrado pouca reação diante dos problemas enfrentados pelo município, que vão desde lixo acumulado e falta de medicamentos até a desordem ambiental na orla. Para a população, o cenário atual em Carneiros reforça a sensação de abandono e a ausência de políticas públicas eficazes para conciliar turismo, segurança e preservação ambiental.
Enquanto isso, a expectativa é de que os órgãos competentes se manifestem de forma clara e adotem providências urgentes. Em jogo estão não apenas a imagem de um dos principais cartões-postais de Pernambuco, mas também a segurança de quem vive e visita a região e a preservação de um ecossistema que, uma vez degradado, pode levar décadas para se recuperar.
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