terça-feira, 20 de janeiro de 2026

PRISÃO DE VEREADOR É CONVERTIDA EM DOMICILIAR E ESCÂNDALO DAS EMENDAS EM IPOJUCA GANHA NOVO CAPÍTULO

A Justiça de Pernambuco decidiu converter a prisão preventiva do vereador Flávio Henrique do Rêgo Souza, conhecido como Flávio do Cartório (PSD), em prisão domiciliar, acrescentando um novo e delicado capítulo ao escândalo que envolve suspeitas de desvios milionários de emendas parlamentares em Ipojuca, no Litoral Sul do Estado. A decisão judicial foi publicada nesta segunda-feira (19) e impõe uma série de medidas cautelares ao parlamentar, que já ocupou a presidência da Câmara Municipal.

Com a conversão da prisão, Flávio do Cartório passará a cumprir a medida em casa, sob monitoramento por tornozeleira eletrônica. Além disso, permanece afastado de qualquer função pública e está proibido de manter contato com outros investigados ou testemunhas do processo. A Justiça também determinou que o vereador não poderá frequentar nem a Câmara Municipal nem a Prefeitura de Ipojuca, como forma de evitar qualquer interferência nas investigações em andamento.

A decisão contraria o posicionamento do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), que se manifestou de forma expressamente contrária à revogação da prisão preventiva. No parecer, o MP destacou elementos que, segundo os promotores, reforçam o risco de obstrução das investigações. Entre eles, a suspeita de que Flávio do Cartório teria sido flagrado ao lado de um policial lotado na Diretoria de Inteligência da Polícia Civil (Dintel), em uma suposta tentativa de acompanhar ou monitorar os desdobramentos da apuração.

Flávio foi preso no dia 18 de novembro de 2025, um dia antes da deflagração da segunda fase da Operação Alvitre, que investiga um esquema de desvio de recursos públicos envolvendo emendas parlamentares e valores que podem chegar a cifras milionárias. À época, ele ainda exercia a presidência da Câmara de Ipojuca, o que deu ainda mais repercussão política ao caso.

De acordo com informações do MPPE, no momento da prisão, Flávio do Cartório estava em um veículo estacionado no supermercado Mix Mateus, no bairro de Boa Viagem, Zona Sul do Recife. Ele estava acompanhado do vice-presidente da Câmara, o vereador Professor Eduardo (PSD), do vereador Júlio Marinho (PP) e de um policial da Dintel, que também se encontrava no carro.

Durante a abordagem policial, Flávio e Professor Eduardo foram autuados por suspeita de lavagem de dinheiro. Com eles, os agentes encontraram uma sacola contendo mais de R$ 14 mil em espécie. Além do dinheiro, foram apreendidas anotações que, segundo os investigadores, indicam a possível existência de um esquema de “rachadinha”, prática ilegal em que parte dos salários ou recursos é desviada ou repartida de forma irregular.

Na audiência de custódia, a Justiça chegou a conceder liberdade provisória a Flávio do Cartório e ao vice-presidente da Câmara. No entanto, o vereador permaneceu preso em razão de um mandado de prisão preventiva já expedido contra ele no âmbito da investigação da Operação Alvitre.

Com a conversão da prisão para o regime domiciliar, o caso segue sob forte atenção do meio político e da sociedade pernambucana. As investigações continuam, e o desfecho pode ter impactos profundos não apenas no futuro político dos envolvidos, mas também na credibilidade das instituições legislativas de Ipojuca.

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