quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

PROCURADORIA DA CÂMARA DO RECIFE DÁ SINAL VERDE PARA TRAMITAÇÃO DE IMPEACHMENT DE JOÃO CAMPOS E ACIRRA DISPUTA POLÍTICA

O cenário político do Recife ganhou novos contornos de tensão nesta quarta-feira (28) após a Procuradoria da Câmara Municipal emitir parecer favorável à tramitação do pedido de impeachment do prefeito João Campos (PSB). A informação foi confirmada pelo líder da bancada governista na Casa de José Mariano, vereador Rinaldo Júnior, e marca o início de uma etapa formal do processo legislativo que pode colocar em debate a permanência do gestor no cargo.

O parecer da Procuradoria não representa uma decisão definitiva, mas funciona como um aval técnico para que o pedido siga seu rito dentro do Legislativo municipal. Em nota oficial, a Câmara do Recife esclareceu que caberá ao plenário decidir sobre a admissibilidade ou não da denúncia. O requerimento deverá ser incluído na pauta da primeira reunião ordinária para deliberação dos vereadores, momento em que a correlação de forças políticas será determinante.

Nos bastidores, a base governista já se movimenta para barrar o avanço da proposta logo na primeira votação. Rinaldo Júnior afirmou que há articulação suficiente entre os aliados do prefeito para impedir que o processo prospere. Segundo ele, o pedido tem caráter político e oportunista, sem fundamento jurídico consistente. O parlamentar sustenta que o episódio que deu origem à denúncia — envolvendo a nomeação de um candidato com deficiência aprovado em concurso da Procuradoria do Município — já foi resolvido administrativamente.

De acordo com o líder do PSB, o ato de nomeação inicialmente questionado foi revogado e o candidato com deficiência acabou sendo devidamente empossado, o que, na avaliação do vereador, eliminaria qualquer dano ou ilegalidade. Ele classificou a iniciativa da oposição como uma tentativa de transformar a Câmara em “palco de edição de vídeo” e afirmou que não houve prejuízo ao erário público, tratando o caso como uma disputa de natureza administrativa e jurídica, não política.

Do outro lado do plenário, a oposição promete endurecer o discurso. O líder oposicionista, vereador Felipe Alecrim (Novo), declarou que o grupo atuará com responsabilidade, mas sem minimizar a gravidade do episódio. Para ele, o caso do concurso público levanta questionamentos sérios sobre a condução administrativa e merece uma resposta firme do Legislativo.

Felipe Alecrim afirmou que a análise será feita com base nos fatos e na legislação, afastando, segundo ele, qualquer motivação passional ou meramente partidária. O vereador defende que a Câmara tem o dever de dar uma resposta “contundente” à população do Recife, reforçando que o compromisso da oposição é com a verdade e com a fiscalização do Poder Executivo.

O embate evidencia o clima pré-eleitoral e a crescente polarização dentro da Casa de José Mariano. Embora o parecer da Procuradoria represente apenas um passo técnico, o episódio já projeta uma disputa política intensa nas próximas sessões. A decisão sobre a admissibilidade do pedido será o primeiro teste de força entre governo e oposição e poderá definir o rumo de um processo que, mesmo antes de avançar formalmente, já ocupa o centro do debate público na capital pernambucana.

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