Em entrevista à Rádio Folha FM 96,7, nesta segunda-feira (12), João Paulo defendeu a tese de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderá ter dois palanques em Pernambuco em 2026, ambos alinhados ao projeto nacional do PT. Segundo o parlamentar, essa hipótese não é nova dentro da legenda e surge como reflexo direto do redesenho político vivido no Estado, marcado por mudanças de posicionamento, desgastes administrativos e reacomodações partidárias.
Na avaliação do deputado, o PT precisa agir com cautela e leitura estratégica da conjuntura. Ele ressaltou que, apesar de a possibilidade de apoio à governadora estar sendo debatida, não existe decisão tomada. “A política não se resolve com pressa. Uma definição agora pode engessar alianças futuras e criar dificuldades desnecessárias”, sinalizou, ao defender que o partido mantenha portas abertas enquanto o cenário permanece em movimento.
João Paulo também minimizou a ideia de que um eventual apoio do PT a Raquel Lyra colocaria a governadora em rota de colisão com o Palácio do Planalto. Para ele, mesmo que Raquel não esteja formalmente no palanque presidencial de Lula, não há indicativos de que ela adote uma postura de oposição ao governo federal. O parlamentar destacou a relação institucional mantida pela governadora com Brasília e os gestos recentes de aproximação, que, segundo ele, revelam pragmatismo político e disposição ao diálogo.
Ao analisar o peso do presidente Lula no processo eleitoral estadual, João Paulo fez uma ponderação relevante: o apoio do líder petista é importante, mas não será determinante isoladamente. Para o deputado, a eleição de 2026 será decidida, sobretudo, pela capacidade da governadora de apresentar resultados concretos à população pernambucana. “O eleitor vai avaliar o que mudou na sua vida. Saúde, educação, mobilidade e políticas sociais serão determinantes”, observou.
As declarações também abriram espaço para críticas diretas ao prefeito João Campos. João Paulo voltou a questionar a relação de confiança entre o gestor recifense e o PT, lembrando episódios da eleição municipal de 2020. Segundo ele, a postura adotada por João Campos naquele pleito foi agressiva em relação ao partido e ainda hoje é explorada por adversários políticos, especialmente pela direita. Para o petista, esse histórico fragiliza a credibilidade política, um ativo essencial em disputas majoritárias.
Além das divergências políticas passadas, o deputado citou desgastes recentes da gestão municipal do Recife que, em sua visão, alteraram o ambiente político. Entre eles, destacou a repercussão nacional do concurso da Procuradoria do Município, após questionamentos envolvendo a reclassificação e nomeação de um candidato para vaga destinada a pessoas com deficiência. O caso gerou pedidos de investigação, debates jurídicos e até discussões sobre impeachment, criando, segundo João Paulo, um “inferno astral” para o prefeito.
No campo da disputa pelo Senado, o deputado reafirmou a defesa da reeleição do senador Humberto Costa (PT), tratado como peça-chave do projeto nacional do partido. João Paulo avaliou que uma eventual composição com o apoio da governadora Raquel Lyra poderia fortalecer a candidatura de Humberto, num cenário considerado altamente competitivo. Além do senador petista, circulam como possíveis postulantes Marília Arraes (Solidariedade), Miguel Coelho (União Brasil), Silvio Costa Filho (Republicanos) e Fernando Dueire (MDB).
João Paulo também reconheceu, sem rodeios, que o PT pernambucano segue dividido internamente e que dificilmente caminhará de forma completamente unificada em 2026. Para ele, mesmo com duas candidaturas ao Governo do Estado, é improvável que toda a base partidária se concentre em um único palanque, repetindo um padrão já observado em eleições anteriores.
Ao final, o deputado reforçou que suas declarações não representam uma decisão fechada, mas uma leitura política do momento. “Não estamos fechando portas nem cravando alianças. Estamos avaliando o cenário. E, hoje, a possibilidade de dois palanques em Pernambuco é real e precisa ser tratada com maturidade e responsabilidade política”, concluiu.
Redação com texto de Ryann Albuquerque, publicado no Jornal do Commercio em 12/01/2026. Foto: Gabriel Ferreira/JC Imagem.
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