sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

SILAS MALAFAIA ACUSA DAMARES DE “MENTIROSA” EM CRISE QUE EXPÕE NOMES DE IGREJAS E PASTORES NA CPMI DO INSS

Em um embate público que ganhou as redes sociais e os corredores do Congresso nesta quinta-feira (15), o pastor Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, lançou duras críticas à senadora Damares Alves (Republicanos-DF), chegando a chamá-la de “mentirosa” e questionando sua postura após a divulgação de uma lista de igrejas e pastores supostamente envolvidos nas investigações da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. O confronto começou após a parlamentar, ex-ministra dos Direitos Humanos e hoje membro titular da CPMI, afirmar publicamente que “grandes igrejas” e “grandes pastores” estavam sendo identificados nas apurações sobre fraudes contra aposentados e pensionistas — uma declaração que não agradou Malafaia, que exigiu provas e nomes claros do suposto envolvimento religioso no esquema. 

Em vídeo publicado nas suas redes sociais, Malafaia criticou veementemente as afirmações da senadora, alegando que as acusações de Damares eram genéricas e prejudiciais à comunidade evangélica: “Ela tenta tirar proveito político do que não fez. Não é Damares que denuncia igrejas e pastores. O que ela faz é assinar requerimentos de convocação. Ela não denuncia pastores, tampouco igrejas”, disse, reiterando que não há confirmações públicas sobre a participação de grandes organizações religiosas no suposto esquema.

Pressionada por Malafaia, Damares respondeu com força. Nesta quarta-feira (14), ela divulgou oficialmente uma lista de igrejas e líderes religiosos citados em requerimentos aprovados pela CPMI do INSS, ressaltando que as informações já constavam em documentos públicos e que sua divulgação fazia parte da transparência exigida pelos trabalhos da comissão.

Segundo os documentos tornados públicos por Damares, as entidades religiosas sob apuração incluem: Adoração Church, Igreja Assembleia de Deus Ministério do Renovo, Ministério Deus é Fiel Church (também chamada SeteChurch) e Igreja Evangélica Campo de Anatote, todas com pedidos de quebra de sigilo fiscal ou bancário aprovados pela CPMI. Entre os líderes convidados a prestar esclarecimentos ou convocados pela comissão estão Cesar Belucci, Péricles Albino Gonçalves, Fabiano Campos Zettel, André Fernandes e o pastor André Machado Valadão, este último citado tanto como convidado quanto como alvo de pedido de transferência de sigilo.

A presença de André Valadão, pastor e cantor conhecido nacionalmente por sua atuação na Igreja Batista Lagoinha, chama a atenção no rol de nomes, embora a simples inclusão de um líder religioso nos requerimentos de uma CPMI não constitua, por si só, prova de culpa, mas apenas indícios que justificam a investigação formal. 

Damares, em suas redes sociais e em entrevistas, afirmou sentir “profundo desconforto e tristeza” diante das suspeitas envolvendo figuras religiosas e instituições que coletam ofertas e dedicam grande parte de sua atividade à assistência social e espiritual de milhões de fiéis. Ela também afirmou que há pressões para que a investigação não avance quando líderes evangélicos influentes aparecem nas apurações, o que, segundo ela, seria um obstáculo constante para o trabalho da CPMI.

O embate entre uma das principais lideranças evangélicas brasileiras e uma senadora influente no mesmo segmento religioso reflete não apenas um choque de versões sobre fatos concretos, mas também uma disputa por narrativa e postura ética diante de um dos maiores escândalos em investigação no Congresso: as fraudes no sistema de descontos e benefícios do INSS que afetam aposentados e pensionistas. A crise expõe tensões internas no meio evangélico quanto ao papel de seus líderes na política e na sociedade e levanta questões sobre transparência, responsabilidade institucional e a necessidade de separar presunção de inocência de conjecturas públicas.

O trabalho da CPMI do INSS segue ao longo de 2026 com depoimentos e análise documental, e o episódio entre Malafaia e Damares pode ter implicações mais amplas para o debate sobre poder religioso, política e accountability no Brasil.

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