terça-feira, 13 de janeiro de 2026

VELHO CHICO COMEÇA 2026 EM BAIXA HISTÓRICA E ACENDE ALERTA

O Rio São Francisco, símbolo de vida, fé e desenvolvimento para o Nordeste, inicia 2026 sob um dos cenários mais preocupantes da última década em Bom Jesus da Lapa, no oeste da Bahia. Dados aferidos nesta sexta-feira (10) pela estação fluviométrica do Serviço Geológico do Brasil (SGB/CPRM), instalada na Ponte Gercino Coelho, apontam que o nível do rio estava pouco acima de 3,64 metros — marca considerada baixa para o período e que rompe uma sequência histórica de cheias registradas no início do ano.

O número não é apenas estatístico. Ele representa, pela primeira vez em nove anos, que o Velho Chico entra o mês de janeiro sem apresentar uma cheia significativa na região, tradicionalmente marcada por elevação das águas impulsionada pelo regime de chuvas no alto e médio curso do rio. O dado acende um sinal de alerta para moradores ribeirinhos, pescadores, agricultores e para toda a cadeia econômica e social que depende diretamente do São Francisco.

O contraste com anos anteriores evidencia a gravidade do cenário. Em 2025, o nível do rio ultrapassava os 7 metros neste mesmo período. Em 2024, passava dos 5 metros. Em 2023, novamente superava os 7 metros, enquanto em 2022 chegou a ficar acima dos 8 metros. Mesmo nos anos considerados menos favoráveis, como 2020 e 2021, o rio ainda se mantinha acima dos 4 metros no início do ano, patamar bem distante do observado agora em 2026.

O acompanhamento histórico feito pelo Portal Notícias da Lapa mostra que, desde 2018, quando o nível estava acima de 5 metros, o São Francisco não iniciava o ano em um patamar tão baixo quanto o atual. Especialistas apontam que a combinação de chuvas irregulares, redução de aportes nos reservatórios a montante e mudanças climáticas tem alterado o comportamento hidrológico do rio, tornando episódios de escassez mais frequentes e imprevisíveis.

Em Bom Jesus da Lapa, onde o rio exerce papel central na economia local, na navegação, na pesca artesanal e no turismo religioso, a baixa do nível impacta diretamente o cotidiano da população. Bancos de areia surgem com mais facilidade, dificultando o tráfego de embarcações, enquanto produtores rurais observam com apreensão a disponibilidade de água para irrigação nos próximos meses.

Mais do que um dado isolado, o nível de 3,64 metros em janeiro de 2026 simboliza um novo desafio para a gestão hídrica do São Francisco. O “rio da integração nacional”, que historicamente foi sinônimo de abundância em períodos chuvosos, passa a exigir atenção redobrada do poder público, de órgãos ambientais e da sociedade civil. O início do ano em baixa histórica reforça a urgência de políticas sustentáveis, planejamento de longo prazo e ações concretas para preservar o Velho Chico — antes que a exceção se transforme em regra.

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