O histórico eleitoral do campo político liderado pela família Campos/Arraes revela um padrão estratégico consistente. Em sete disputas pelo Palácio do Campo das Princesas protagonizadas por esse grupo, seis tiveram como vice uma liderança do interior do estado. A única exceção ocorreu em 1986, quando Miguel Arraes venceu tendo como vice o recifense Carlos Wilson.
Nas demais ocasiões, a lógica foi clara: ampliar a capilaridade política no interior. Em 1962, Arraes foi eleito ao lado de Paulo Guerra, natural de Nazaré da Mata. Em 1994, escolheu Jorge Gomes, com forte atuação em Caruaru. Já em 1998, na tentativa de reeleição, substituiu o vice por Fernando Bezerra Coelho, de Petrolina — numa disputa que acabou vencida por Jarbas Vasconcelos.
O mesmo desenho se repetiu sob a liderança de Eduardo Campos. Nas vitórias de 2006 e 2010, o vice foi o caruaruense João Lyra Neto, reforçando o eixo Agreste como peça-chave na engenharia eleitoral socialista. Em 2022, embora fora do PSB, Marília Arraes manteve a tradição ao escolher o serra-talhadense Sebastião Oliveira para compor sua chapa ao Governo.
Diante desse retrospecto, a eventual escolha de um nome do interior por João Campos não seria apenas simbólica, mas estratégica. E é justamente nesse ponto que Álvaro Porto se encaixa com força no tabuleiro.
Natural do Agreste, com base consolidada e trânsito político em diferentes regiões do estado, o presidente da Alepe construiu nos últimos anos uma imagem de liderança firme e articuladora. À frente do Legislativo estadual, tem exercido papel de equilíbrio institucional, mas também de escudo político em momentos sensíveis para aliados estratégicos. Nos bastidores, é reconhecido como um aliado leal de João Campos, atuando dentro e fora do plenário em pautas de interesse comum.
O conjunto de forças que gravita em torno de Álvaro Porto amplia ainda mais seu peso. Ele dialoga com setores expressivos do interior, mantém influência no Agreste e no Sertão e reúne características que historicamente marcaram os vices escolhidos pelo campo socialista: densidade eleitoral regional, capacidade de articulação e complementaridade política à liderança da capital.
Além disso, sua eventual indicação sinalizaria uma composição que busca equilibrar juventude e experiência, capital e interior, Executivo e Legislativo. João Campos representa uma nova geração política com forte aprovação no Recife; Álvaro, por sua vez, agrega maturidade institucional e musculatura regional.
A definição do nome que ocupará a vice ainda depende de uma complexa equação partidária, que envolve alianças, acomodações e o desenho final do palanque estadual. Contudo, no atual estágio das articulações, Álvaro Porto aparece como o nome que melhor sintetiza tradição, estratégia e conjuntura.
Se confirmada, a escolha reforçará um traço histórico do grupo político dos Campos/Arraes: compreender que, em Pernambuco, a vitória passa inevitavelmente pelo interior. E, ao que tudo indica, o Agreste pode novamente ser protagonista na composição da chapa que disputará o comando do Estado.
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