domingo, 22 de fevereiro de 2026

ANDERSON METRALHA GILSON E ACUSA EX-MINISTRO DE TRAIÇÃO À DIREITA EM PERNAMBUCO

O clima esquentou de vez no campo da direita pernambucana. O presidente estadual do PL, Anderson Ferreira, rompeu o silêncio e partiu para o ataque contra o ex-ministro do Turismo Gilson Machado, que deixou o partido para disputar uma vaga na Câmara Federal pelo Podemos. Em declarações duras e sem rodeios, Anderson classificou o movimento como traição política e acusou o ex-aliado de abandonar a direita por um projeto pessoal.

A reação veio após Gilson criticar publicamente o PL por não mencionar o senador Flávio Bolsonaro nas redes sociais da legenda em Pernambuco. A fala não caiu bem. Anderson rebateu afirmando que Gilson não tem mais legitimidade para falar em nome do partido, uma vez que decidiu trocar de sigla.

“Ele não tem propriedade para falar pelo PL. É um desertor”, disparou Anderson, elevando o tom da disputa. Para o dirigente estadual, a ida de Gilson ao Podemos representa um alinhamento indireto com forças políticas ligadas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o que, segundo ele, enfraquece o discurso de oposição que vinha sendo defendido pelo ex-ministro.

Anderson foi além e afirmou que o movimento de Gilson poderá beneficiar parlamentares que apoiam Lula, já que o Podemos abriga deputados alinhados ao Palácio do Planalto. “Ele vai ajudar a eleger deputados que votam com Lula. Portanto, não pode se apresentar como defensor da direita em Pernambuco”, declarou.

Nos bastidores, o que se comenta é que a mudança de rumo de Gilson — que até então se colocava como pré-candidato ao Senado — surpreendeu aliados e gerou desconforto dentro do campo conservador. Anderson explorou essa mudança repentina de estratégia para reforçar sua crítica. “Passou o tempo todo dizendo que seria candidato ao Senado e, de repente, mudou tudo para disputar uma vaga de deputado federal. Isso mostra que o projeto nunca foi coletivo, foi pessoal”, afirmou.

A fala de Anderson explicita um racha que vinha sendo desenhado nos últimos meses e agora ganha contornos públicos e agressivos. De um lado, o PL tenta consolidar sua base e manter o discurso de fidelidade ao bolsonarismo. Do outro, Gilson busca viabilizar sua candidatura em uma nova legenda, apostando em capital político próprio.

O embate promete esquentar ainda mais à medida que o calendário eleitoral avança. O que era divergência interna virou troca pública de acusações. E, pelo tom adotado por Anderson, a disputa deixou de ser apenas eleitoral para se tornar também uma batalha por narrativa e liderança dentro da direita pernambucana.

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