No caso do Mounjaro, a própria fabricante, a Eli Lilly do Brasil, comunicou à agência reguladora a identificação de unidades suspeitas do lote D838838 circulando no mercado. Segundo a empresa, as embalagens apresentavam diferenças visíveis em relação ao produto original, como falhas na impressão do nome e de outras informações no rótulo, que estavam levemente borradas e com qualidade inferior ao padrão industrial da fabricante. As inconsistências levantaram suspeita de falsificação, o que motivou a atuação imediata da Anvisa.
Diante da constatação, o órgão determinou a apreensão dos produtos e proibiu o armazenamento, a comercialização, a distribuição, a importação e o consumo dos lotes irregulares. A medida busca interromper a cadeia de circulação dos medicamentos adulterados e proteger pacientes que utilizam o fármaco, indicado principalmente para tratamento de diabetes tipo 2 e que também ganhou notoriedade pelo uso no controle de peso.
Outra irregularidade identificada envolve unidades de botox com o lote C7936C3. A ABBVIE Farmacêutica Ltda, responsável pela fabricação e distribuição da toxina botulínica original no Brasil, informou que desconhece o referido lote. De acordo com a empresa, as embalagens apresentam informações divergentes das oficiais, como datas de fabricação e validade incompatíveis com seus registros, o que indica possível adulteração. A toxina botulínica é amplamente utilizada tanto em procedimentos estéticos quanto em tratamentos médicos, o que amplia a preocupação das autoridades sanitárias.
Além das apreensões, a Anvisa também determinou a suspensão da propaganda de todos os lotes dos produtos Canabidiol Prati-Donaduzzi e Canabidiol Prati Donaduzzi 20 MG, fabricados pela Prati Donaduzzi & CIA Ltda. A decisão foi tomada após a comprovação de publicidade realizada em redes sociais e no site da empresa, prática que contraria o artigo 12 da Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) 327/2019, norma que regulamenta a fabricação, importação e comercialização de produtos à base de cannabis para fins medicinais no país.
De acordo com a regulamentação vigente, a divulgação desses produtos possui regras específicas e restrições quanto à publicidade direta ao público, justamente para evitar estímulo indevido ao consumo e garantir que o uso ocorra sob prescrição e acompanhamento médico.
A agência reforçou que a população deve adquirir medicamentos apenas em estabelecimentos regularizados e desconfiar de preços muito abaixo do mercado ou de embalagens com sinais de irregularidade. A lista completa dos produtos alvo da ação fiscal pode ser consultada no site oficial da Anvisa.
As medidas adotadas evidenciam o esforço da autoridade sanitária em combater fraudes, proteger a saúde coletiva e assegurar que medicamentos e produtos terapêuticos comercializados no Brasil atendam aos padrões de qualidade, segurança e eficácia exigidos pela legislação.
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