segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

CLIMA DE TENSÃO NA CÂMARA DO RECIFE COM EDUARDO MOURA ACUSANDO CHICO KIKO DE AMEAÇA DE MORTE APÓS POLÊMICA DOS “CHIFRINHOS”

O ambiente político na Câmara Municipal do Recife ganhou contornos de crise nesta segunda-feira (23), após o vereador Eduardo Moura (Novo) tornar pública uma grave acusação contra o também vereador Chico Kiko (PSB). Segundo Moura, o colega parlamentar teria proferido ameaças de morte nos corredores da Casa de José Mariano, motivadas por um gesto feito durante a última sessão plenária.

A controvérsia teve início quando Eduardo Moura realizou o gesto conhecido como “chifrinhos” durante a sessão, atitude que gerou reação imediata nos bastidores. Dois dias depois, de acordo com o relato do vereador do Novo, ele foi informado de que, enquanto estava ausente do plenário, Chico Kiko teria declarado a outros parlamentares que iria “dar um tiro nele” e que “iria matá-lo”. As supostas declarações teriam ocorrido no chamado “gabinete especial”, conhecido informalmente como “buraco frio”, além de outras dependências internas da Câmara.

Da tribuna, visivelmente indignado, Moura afirmou que as falas teriam sido presenciadas por colegas como Osmar Ricardo (PT), que, segundo ele, precisou intervir para conter Chico Kiko. O vereador também citou como testemunhas Felipe Alecrim (Novo), Gilson Machado Filho (PL) e Agora É Rubem (PSB). A denúncia ganhou contornos formais quando Eduardo Moura registrou Boletim de Ocorrência na Polícia Civil e protocolou representação junto ao Ministério Público de Pernambuco, que, segundo ele, já teria acatado a comunicação dos fatos.

Além disso, o parlamentar comunicou o caso à Polícia Militar e à Guarda responsável pela segurança do prédio legislativo, solicitando providências para garantir sua integridade física. Moura também requereu oficialmente as imagens das câmeras internas da Casa, com o objetivo de comprovar que Chico Kiko teria se deslocado até seu gabinete após a sessão, supostamente para reforçar as ameaças.

O episódio elevou ainda mais a tensão porque o próprio Eduardo Moura já responde a uma representação na Comissão de Ética da Câmara, movida por Chico Kiko, em razão do gesto considerado desrespeitoso. O vereador do Novo reconheceu, em plenário, que sua atitude foi um “erro infantil” e que estaria sujeito a advertência regimental. No entanto, argumentou que eventuais excessos gestuais não podem ser comparados à gravidade de ameaças de morte.

Com base no Regimento Interno da Casa, Moura defendeu que a Comissão de Ética apure a conduta do colega do PSB por possível infração ao artigo 42, inciso II, que trata do decoro parlamentar. Em tom desafiador, questionou publicamente se Chico Kiko teria “a hombridade de pedir desculpas pelo ato ou efetivar a ameaça”, declaração que ampliou o clima de embate político.

Até o momento, Chico Kiko não havia se pronunciado oficialmente sobre as acusações. O caso agora deve avançar tanto na esfera interna da Câmara quanto nas instâncias policiais e ministeriais, podendo desencadear um processo disciplinar e investigações criminais. O episódio expõe um cenário de acirramento político que ultrapassa o campo das divergências ideológicas e coloca em debate os limites do comportamento parlamentar dentro e fora do plenário.

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