MIGUEL COELHO ENTRE O SONHO DO SENADO E O PESO DA REALIDADE
O ex-prefeito de Petrolina e presidente do União Brasil em Pernambuco, Miguel Coelho, entrou em 2026 como um dos nomes mais competitivos na corrida pelo Senado. Sempre bem posicionado nas pesquisas, variando entre primeiro lugar ou empate técnico nos cenários estimulados, ele figurava como peça central no tabuleiro eleitoral do Estado. No entanto, em poucos dias, o cenário mudou drasticamente. A operação da Polícia Federal que atingiu seu grupo político colocou sua pré-candidatura sob forte tensão e abriu uma fase de incertezas que pode redefinir completamente o jogo.
A política, sobretudo em Pernambuco, não perdoa fragilidades. E Miguel agora enfrenta talvez o momento mais delicado de sua trajetória pública.
O FAVORITO QUE VIU O CENÁRIO MUDAR DE PROTAGONISTA NAS PESQUISAS A NOME SOB PRESSÃO
Até a última semana, Miguel aparecia como nome praticamente consolidado entre os postulantes ao Senado. Seu capital político vinha da gestão em Petrolina, da articulação estadual e do recall eleitoral construído ao lado de seu pai, o ex-senador Fernando Bezerra Coelho, e do irmão, o deputado federal Fernando Filho.
Mas a política é dinâmica. Uma operação federal tem potencial para alterar percepções, criar desgaste e, principalmente, alimentar adversários. Mesmo que não haja condenação, o impacto político é imediato. Em campanhas majoritárias, a narrativa pesa tanto quanto os fatos jurídicos.
ENTRE DOIS PALANQUES: JOÃO CAMPOS OU RAQUEL LYRA? O DILEMA QUE JÁ EXISTIA ANTES DA CRISE
Antes mesmo da operação, Miguel já enfrentava um dilema estratégico. Ele orbitava dois campos políticos distintos.
De um lado, havia a aproximação com o prefeito do Recife, João Campos, do Partido Socialista Brasileiro, que chegou a sinalizar publicamente que Miguel estava em seu grupo político. Do outro, mantinha diálogo com a governadora Raquel Lyra, do Partido Social Democrático, embora resistisse a um acordo formal.
Esse movimento duplo exigia equilíbrio fino. Agora, com o desgaste da operação, ambos os lados podem recalcular riscos. Em política majoritária, ninguém quer dividir palanque com quem esteja sob forte questionamento público.
A FEDERAÇÃO UNIÃO BRASIL–PP E O FOGO AMIGO, EDUARDO DA FONTE COMO FORTE ADVERSÁRIO INTERNO
Há ainda um fator interno decisivo: a federação entre União Brasil e o Progressistas, que em Pernambuco é comandada pelo deputado federal Eduardo da Fonte — também pré-candidato ao Senado.
Ou seja, Miguel não enfrenta apenas adversários externos. Ele disputa espaço dentro da própria federação. Em caso de enfraquecimento político, a tendência natural é que o grupo opte pelo nome considerado mais viável eleitoralmente.
A operação da PF, nesse contexto, pode servir como argumento interno para reconfiguração da chapa.
A FERIDA DE 2024: RAQUEL EM PETROLINA, A MEMÓRIA POLÍTICA QUE NÃO CICATRIZA
Outro elemento relevante é o histórico recente. Em 2024, durante a eleição municipal, Raquel Lyra foi a Petrolina pedir votos para Júlio Lóssio, adversário do prefeito Simão Durando, aliado direto de Miguel.
Foram várias idas à cidade, num gesto claro de enfrentamento ao grupo dos Coelho. Do outro lado, o PSB apoiou a reeleição de Simão Durando.
Esse episódio deixou marcas. Política também é memória. E alianças não se constroem apenas com conveniência eleitoral; exigem confiança. Em meio à crise atual, essas feridas pesam ainda mais.
A NARRATIVA DA “OPERAÇÃO POLÍTICA”, DEFESA PÚBLICA E ESTRATÉGIA DE SOBREVIVÊNCIA
Miguel e Fernando Filho reagiram rapidamente. Em nota, classificaram a operação como de “viés político” e reforçaram que as contas de Petrolina estão aprovadas.
Essa estratégia é clássica na política brasileira: transformar investigação em perseguição. Funciona quando há base eleitoral consolidada e quando o eleitorado enxerga exagero nas ações.
Mas há um ponto crucial: a opinião pública pernambucana está mais sensível a temas de ética e gestão. A resposta de Miguel precisa ser firme, mas também transparente. Negar apenas pode não ser suficiente; será necessário convencer.
O FUTURO EM ABERTO: DERROTA ANTECIPADA OU RESILIÊNCIA? A CAPACIDADE DE REAÇÃO COMO FATOR DECISIVO
O noticiário já fala em “fim do sonho” de Miguel ao Senado. Pode ser precipitado. A política ensina que crises podem destruir carreiras — ou fortalecê-las, dependendo da reação.
Se Miguel conseguir manter apoio em Petrolina, preservar alianças estratégicas e evitar desgaste nas pesquisas, pode sobreviver ao episódio. Se, porém, os números começarem a cair e aliados migrarem, a pré-candidatura pode se tornar insustentável.
O jogo ficou mais difícil. Muito mais.
Mas ainda não está encerrado.
Em Pernambuco, a história mostra que eleições majoritárias raramente seguem roteiro linear. Miguel Coelho entra agora na fase mais desafiadora de sua trajetória: provar que sua força política é maior do que o peso das circunstâncias. Se conseguirá, dependerá menos da operação em si — e mais de sua habilidade de transformar crise em capital político. Quem viver, verá!
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