Mais do que um deslocamento entre dois pontos do mapa, a iniciativa busca provocar reflexão. O projeto em discussão tem como objetivo declarado reforçar a segurança no trânsito e reduzir a emissão de poluentes, mirando especialmente veículos mais antigos. Mudalen, no entanto, levanta um contraponto direto: a idade do automóvel, por si só, não pode ser tratada como sinônimo de insegurança ou de agressão ambiental.
Durante todo o percurso, que deve ser concluído no dia seguinte, o ex-parlamentar faz questão de seguir exclusivamente com o Fusca, sem apoio logístico ou troca de veículo. A escolha não é aleatória. O carro, fabricado há quase cinco décadas, está em perfeitas condições de uso, justamente para sustentar o argumento de que manutenção adequada e responsabilidade do proprietário são fatores muito mais determinantes do que o ano de fabricação estampado no documento.
Mudalen afirma não ser contrário à vistoria veicular em si, mas critica o impacto financeiro que a ampliação da exigência pode gerar. Para ele, a medida tende a penalizar principalmente os proprietários de veículos usados, que já enfrentam uma carga significativa de impostos e taxas anuais. “O risco é transformar a vistoria em mais um custo obrigatório, sem necessariamente atacar os verdadeiros problemas do trânsito”, defende.
Ao chegar a Brasília, a expectativa é que a viagem chame a atenção de parlamentares e da opinião pública para um debate mais equilibrado sobre segurança, meio ambiente e justiça social. O Fusca 1975, cruzando estradas federais e estaduais, passa a ser mais do que um carro antigo: vira argumento em movimento, questionando políticas públicas que, segundo Mudalen, precisam considerar a realidade econômica dos brasileiros e a diferença entre veículos abandonados e aqueles que seguem rodando com zelo e responsabilidade.
Com o ronco característico do motor e a carroceria clássica enfrentando longos trechos de estrada, a jornada do ex-deputado se consolida como um protesto silencioso, porém visível, em defesa da ideia de que conservar bem pode ser tão importante quanto legislar melhor.
Nenhum comentário:
Postar um comentário