A declaração acendeu um debate que vem sendo cuidadosamente observado nos bastidores da política local. Coronel Meira, conhecido por seu discurso firme em defesa do bolsonarismo, sinalizou que não pretende ceder espaço. A crítica não é apenas pessoal: é uma tentativa de marcar território diante do que ele enxerga como um movimento de infiltração da esquerda em um terreno tradicionalmente conservador.
Não demorou para que Gilson Machado reagisse. Em entrevista ao programa Cidade em Foco, o ex-ministro do Turismo rebateu de forma categórica as insinuações e reforçou sua lealdade a Bolsonaro: “Nunca trai Jair Bolsonaro. A mudança de partido foi feita em total anuência com a família do ex-presidente. E não preciso provar minha fidelidade a ninguém, principalmente a Anderson Ferreira”, afirmou. Machado reforça que sua estratégia política é transparente e que as movimentações partidárias visam apenas ajustes estratégicos para a disputa eleitoral de 2026.
A situação cria um cenário de disputa acirrada pela fatia do eleitorado bolsonarista em Pernambuco. Segundo levantamentos recentes, aproximadamente 25% dos eleitores locais têm inclinação a apoiar Flávio Bolsonaro contra Luiz Inácio Lula da Silva. Essa base, que deveria ser coesa, corre o risco de se fragmentar em duas correntes: uma ligada ao grupo dos Ferreiras, liderado por Anderson, e outra alinhada a Gilson Machado.
Especialistas em política estadual alertam que o embate não se resume a figuras ou partidos: é uma batalha pelo controle simbólico do bolsonarismo na região. Quem conseguir consolidar apoio nesse eleitorado terá força decisiva para moldar alianças e definir candidatos a deputados federais e estaduais, transformando o que poderia ser uma base sólida em campo de disputa.
O que se desenha é um Pernambuco dividido entre fidelidades, estratégias e interesses. A direita, historicamente unida em torno de candidatos conservadores, mostra agora rachaduras e disputas internas que podem ter consequências profundas na eleição de 2026. Entre acusações de traição, defesas de lealdade e movimentos estratégicos, o eleitor pernambucano será chamado a escolher não apenas candidatos, mas quem de fato representará a força da direita no estado.
Se a guerra política entre Meira e Gilson for apenas o começo, o que se vê é um quadro de intensa disputa, cheio de acertos e erros, promessas de lealdade e questionamentos públicos, mostrando que, em Pernambuco, a direita está longe de qualquer consenso.
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