quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

EMPATE TÉCNICO NO PLANALTO: LULA PERDE FÔLEGO E FLÁVIO BOLSONARO ENCOSTA, DIZ ATLASINTEL/BLOOMBERG

A corrida presidencial de 2026 começa a ganhar contornos de alta tensão. Pesquisa divulgada nesta quarta-feira (25) pela AtlasIntel em parceria com a Bloomberg aponta um cenário de empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em uma simulação de segundo turno. Os números revelam um ambiente de disputa apertada e indicam mudança significativa no humor do eleitorado em comparação ao levantamento anterior.

No cenário direto entre Lula e Flávio, o senador aparece com 46,3% das intenções de voto, contra 46,2% do presidente — diferença de apenas um décimo percentual, dentro da margem de erro de um ponto percentual para mais ou para menos. O nível de confiança do estudo é de 95%. O levantamento ouviu 4.986 eleitores brasileiros entre os dias 19 e 24 de fevereiro, recrutados digitalmente. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-07600/2026 e teve custo de R$ 75 mil, bancado pela própria empresa.

O dado chama atenção porque, em janeiro, Lula aparecia numericamente à frente, com 49,2% contra 44,9% de Flávio. Em apenas um mês, o presidente não apenas perdeu a vantagem fora da margem de erro, como passou a dividir tecnicamente a liderança com um dos principais nomes da direita.

Outro fator relevante é o desempenho do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Embora não se declare pré-candidato e afirme que apoiará o nome indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, Tarcísio foi testado no levantamento e surge numericamente à frente de Lula em um eventual segundo turno. Nesse cenário, o governador aparece com 47,1% contra 45,9% do presidente — também dentro da margem de erro, mas com vantagem simbólica.

Em janeiro, Lula vencia Tarcísio por 49,1% a 45,4%. A inversão dos números em fevereiro reforça a percepção de maior competitividade do governador paulista. A taxa de rejeição também pesa: Tarcísio registra 35,5%, enquanto Flávio Bolsonaro tem 46,4%, o que pode influenciar estratégias no campo conservador.

A pesquisa também simulou disputas contra outros nomes da direita e do centro. Em um eventual embate com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), Lula manteria vantagem, mas com margem menor do que a observada em confrontos anteriores contra candidatos do mesmo campo ideológico. Já diante do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), a vantagem do presidente é mais confortável.

Cenários com governadores ligados ao PSD — como Ronaldo Caiado (GO), Ratinho Junior (PR) e Eduardo Leite (RS) — também indicam dianteira mais ampla para Lula.

No primeiro turno, os números mostram que Lula permanece na casa dos 45% quando o adversário é Flávio Bolsonaro, que não ultrapassa os 40%. Quando Tarcísio entra na disputa no lugar do senador, o governador marca 36,2%, enquanto Lula aparece com 43,3%. Em um cenário improvável com Flávio e Tarcísio simultaneamente na corrida, o campo da direita se fragmenta: o senador teria 33,1%, Tarcísio 7,4%, e Lula alcançaria 47,1% — percentual próximo do necessário para liquidar a disputa ainda no primeiro turno.

O retrato traçado pela AtlasIntel/Bloomberg revela um quadro dinâmico e competitivo, com oscilações significativas em curto espaço de tempo. A menos de oito meses da eleição de outubro de 2026, o cenário aponta que a consolidação de candidaturas e a definição de alianças no campo da direita podem ser determinantes para o desfecho da disputa presidencial.

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