A avaliação reservada de integrantes do grupo é de que a operação teria forte impacto político e poderia servir como elemento de desgaste público. Pessoas próximas a Miguel afirmam que o episódio surge em um momento delicado das articulações para as eleições e levantam suspeitas de que setores do Partido dos Trabalhadores estariam pressionando por uma nova configuração na aliança governista.
Nos corredores da política estadual, comenta-se que o prefeito do Recife, João Campos, do Partido Socialista Brasileiro, estaria no centro desse xadrez. A leitura de aliados dos Coelho é que um eventual desgaste de Miguel abriria espaço para uma reavaliação de compromissos políticos, inclusive quanto à composição da chapa majoritária.
Hoje, segundo interlocutores, a pressão dentro do campo governista seria para ampliar o espaço de nomes como o senador Humberto Costa e o ministro Sílvio Costa Filho, ambos apontados como peças estratégicas para fortalecer a base alinhada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A disputa pela vaga de vice também estaria em ebulição, envolvendo diretamente o Movimento Democrático Brasileiro e o Partido da Social Democracia Brasileira, legenda que em Pernambuco é presidida pelo deputado Álvaro Porto na Assembleia Legislativa.
Outro ponto que alimenta as desconfianças nos bastidores é o fato de Flávio Dino ter sido indicado ao STF por Lula, liderança histórica do PT. Para aliados da família Coelho, esse contexto político nacional amplia a narrativa de que haveria interesses eleitorais indiretos em jogo — embora não haja qualquer comprovação pública de interferência política na decisão judicial.
Do outro lado, interlocutores ligados ao campo governista tratam as acusações como especulação e ressaltam que decisões judiciais seguem critérios técnicos e legais. Até o momento, não há manifestação oficial que confirme qualquer motivação política na operação.
Enquanto isso, o discurso entre aliados de Miguel Coelho é de resistência. A palavra “perseguição” tem sido repetida em conversas reservadas, e a sinalização é de que o grupo não pretende recuar nem abrir mão de protagonismo na disputa estadual.
Com a corrida eleitoral se aproximando, o episódio adiciona tensão a um cenário já marcado por articulações intensas, disputas internas e movimentos calculados. No tabuleiro político pernambucano, cada gesto tem peso estratégico — e a crise aberta desta semana promete repercutir por muito tempo nos bastidores do poder.
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