Sem citar diretamente os embates regionais, Flávio adotou um tom conciliador, reforçando a necessidade de coesão no campo conservador. A sinalização ocorre num momento em que lideranças disputam espaço e protagonismo em Pernambuco, ampliando a percepção de fragmentação dentro do grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
A gravação também serviu para que Gilson Machado deixasse claro que sua recente filiação ao Podemos não representa um afastamento do bolsonarismo. Pelo contrário. Segundo ele, a saída do PL ocorreu com o aval de Flávio Bolsonaro, numa estratégia que amplia seu raio de articulação política. O ex-ministro viajou a Brasília justamente para participar de um encontro partidário e aproveitou a agenda para reforçar publicamente sua vinculação ao senador.
Nos bastidores, Gilson tem assumido o papel de articulador entre Flávio e o Podemos. Em texto distribuído à imprensa, ele informou ter recebido “carta branca” da legenda para apoiar uma eventual candidatura presidencial do senador e revelou que trabalha para aproximá-lo ainda mais do partido, com o objetivo de construir um apoio formal no futuro.
O movimento ganha novos contornos nesta quarta-feira, quando a presidente nacional do Podemos, a deputada federal Renata Abreu, terá um encontro com Flávio Bolsonaro. A reunião foi articulada com participação direta de Gilson, evidenciando seu protagonismo nesse diálogo entre o senador e a sigla.
Embora seja classificado como um partido de centro, o Podemos apresenta realidades distintas nos estados. Na Bahia, por exemplo, setores da legenda estão engajados na campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em outras unidades da federação, contudo, a maioria das direções estaduais mantém postura independente e sem alinhamento formal com o PT, o que abre espaço para composições diversas.
Ao se posicionar publicamente ao lado de Gilson Machado, Flávio Bolsonaro envia um recado claro: mais do que disputas locais, o foco deve estar na construção de uma frente unificada capaz de enfrentar um cenário eleitoral adverso. Resta saber se o apelo por unidade encontrará eco entre as lideranças que hoje protagonizam divergências dentro do próprio campo conservador em Pernambuco.
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