quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

JOÃO CAMPOS, RAQUEL LYRA E PT DISPUTAM ESPAÇO NA ALIANÇA EM PERNAMBUCO

O xadrez político de Pernambuco começa a ganhar contornos cada vez mais estratégicos com o presidente Lula (PT) no centro das articulações. Pré-candidato ao Governo do Estado e presidente nacional do PSB, João Campos confirmou que tratou da conjuntura pernambucana diretamente com o chefe do Planalto, mas preferiu não revelar detalhes da conversa. Segundo ele, o diálogo foi amplo e incluiu, sim, o cenário local.

“Conversei com o presidente Lula, a gente está muito animado de fazer essa construção Brasil afora. Claro que terá reflexos positivos em Pernambuco. A gente falou de muita coisa, inclusive de Pernambuco”, afirmou João Campos ao jornalista Rhaldney Santos. A declaração reforça que a relação entre PSB e PT permanece ativa e estratégica, especialmente diante da proximidade das eleições.

Nos bastidores, o movimento é interpretado como parte de uma disputa silenciosa pela preferência e pelo espaço político ao lado do presidente. João Campos não demonstra disposição em dividir o protagonismo de Lula no Estado. No entanto, a governadora Raquel Lyra (PSD) também se movimenta. Informações de bastidores apontam que ela teria solicitado neutralidade ao presidente, tentando evitar que o Palácio do Planalto se posicione antecipadamente em favor do socialista.

Enquanto isso, lideranças petistas mantêm discurso público de abertura e pragmatismo. O presidente estadual do PT, deputado federal Carlos Veras, defendeu a flexibilidade política do presidente Lula. Para ele, não há impedimento para que o chefe do Executivo nacional dialogue com diferentes palanques.

“O presidente pode subir em mais de um palanque, pode subir só em um, como fez em 2022, mesmo com Marília Arraes declarando apoio a ele, ou pode não vir. Eu como presidente do PT vou trabalhar para que Lula venha mais de uma vez porque é importante para nossas chapas de estadual e federal e, acima de tudo, para a reeleição do senador Humberto Costa”, declarou Veras.

A fala deixa claro que, para o PT, o principal foco é fortalecer suas chapas proporcionais e garantir a renovação do mandato de Humberto Costa ao Senado. O próprio senador adotou um tom conciliador e pragmático. Para ele, quanto mais apoios, melhor — inclusive se vierem do campo da governadora.

“Nós vamos ter uma eleição muito difícil pela frente e quereremos voto de todo mundo. Quem quiser votar no presidente será muito bem-vindo. Naturalmente, que aqui a governadora Raquel Lyra, se decidir apoiar o presidente Lula, é uma coisa positiva”, afirmou Humberto.

Em meio às declarações, também repercutiu a fala da ex-deputada Marília Arraes (SD), que afirmou haver um concorrente pressionando João Campos nos bastidores. Questionado sobre a indireta, Humberto Costa foi direto: “Da minha parte, não. Vamos aguardar o momento de participar dessa discussão.” O senador ainda minimizou qualquer eventual conflito dentro do campo progressista, afirmando que duas candidaturas de esquerda ao Senado não representam, necessariamente, um problema.

Já a governadora Raquel Lyra reforçou, em entrevista à CNN, que mantém diálogo aberto com as principais lideranças partidárias nacionais. “Tenho aberto diálogo com o presidente do PT, Edinho Silva, e com o presidente do meu partido, Gilberto Kassab. Há uma clareza muito grande de que a gente tem liberdade para a escolha daquilo que é melhor para Pernambuco”, declarou.

O cenário, portanto, aponta para uma disputa que vai além das candidaturas formais. Trata-se de uma batalha por narrativa, alianças e espaço ao lado de Lula, figura central na reorganização das forças políticas no Estado. Entre declarações públicas cautelosas e articulações reservadas, Pernambuco já vive o clima antecipado de uma eleição que promete ser marcada por alianças estratégicas, movimentos calculados e pelo peso decisivo do apoio presidencial.

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