Lupi deixou claro que o “Plano A” do partido é lançar Marília ao Senado no mesmo palanque do prefeito do Recife, João Campos. No entanto, ele reconheceu que o cenário para a disputa senatorial em Pernambuco está congestionado, com muitos postulantes e negociações em andamento. O temor do dirigente é de que, sem uma composição sólida, a ex-deputada não tenha garantida a vaga na chapa majoritária.
“Se ela está vindo para o partido para concorrer ao Senado, preciso de uma composição que garanta isso. Por isso podemos evoluir para o apoio a Raquel. Não é a hipótese favorita, mas pode acontecer”, afirmou Lupi, sinalizando que, caso não haja espaço no grupo de João Campos, o PDT pode caminhar para uma aliança com a governadora Raquel Lyra — desde que a candidatura de Marília esteja assegurada.
A fala do presidente pedetista foi interpretada como um recado direto aos aliados e como uma pressão política clara: o PDT quer protagonismo e não aceitará papel secundário na formação das chapas.
As declarações vieram dois dias após o deputado federal Túlio Gadelha anunciar as pré-candidaturas do reitor da UFPE, Alfredo Gomes, ao Governo do Estado, e do ex-deputado federal Paulo Rubem Santiago ao Senado, pelo partido Rede Sustentabilidade. Apesar do anúncio, Lupi admitiu que existe a possibilidade de todo esse grupo migrar para o PDT, o que ampliaria o peso político da legenda no Estado.
Nos bastidores, é sabido que Lupi mantém relação próxima com Túlio Gadelha, que já o convenceu anteriormente a apoiar Raquel Lyra. A aliança, no entanto, teve vida curta e acabou desgastada por questões ligadas à política de Caruaru, reduto estratégico no Agreste.
Agora, o que está em jogo é mais do que uma simples filiação partidária. A movimentação de Marília Arraes pode redefinir alianças, reorganizar palanques e até provocar rupturas. O Senado, peça-chave nas articulações nacionais, tornou-se o centro da disputa em Pernambuco.
Com as eleições ainda distantes, mas as articulações já aceleradas, o recado de Carlos Lupi é claro: o PDT quer espaço garantido e não descarta mudar de lado para assegurar protagonismo. A política pernambucana, mais uma vez, mostra que alianças são construídas com estratégia — e, sobretudo, com garantia de espaço no tabuleiro eleitoral.
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