terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

“NÃO É AMBIÇÃO, É CONVOCAÇÃO DO POVO”, DIZ MARÍLIA ARRAES EM DESABAFO QUE AGITA A DISPUTA PELO SENADO EM PERNAMBUCO

A ex-deputada federal Marília Arraes escolheu as redes sociais, nesta segunda-feira, para romper o silêncio e mandar um recado direto, claro e carregado de simbolismo político. Em um vídeo de tom firme, mas visivelmente emocional, Marília fez um desabafo público que expõe tensões nos bastidores da formação da chapa majoritária governista em Pernambuco e reacende o debate sobre espaço, gênero e poder na política estadual.

Líder absoluta nas pesquisas de intenção de voto para o Senado — chegando a 41% segundo o Datafolha — Marília deixou claro que não se vê como alguém que está “forçando” uma candidatura. Pelo contrário. Segundo ela, a movimentação em torno do seu nome nasce da vontade popular. “Não sou eu que estou me colocando na disputa para o Senado. É o povo de Pernambuco que está me chamando, e eu sempre estarei à disposição do nosso povo”, afirmou.

O ponto mais forte do desabafo veio quando Marília levantou uma reflexão incômoda, mas necessária: a possibilidade de estar sendo tratada de forma desigual por ser mulher. Em tom direto, questionou se um homem, com o mesmo histórico político, o mesmo desempenho eleitoral e a mesma liderança nas pesquisas, estaria sendo ignorado como ela vem sendo. A fala ecoou rapidamente nas redes e encontrou respaldo entre apoiadores que veem na situação um retrato das barreiras ainda enfrentadas por mulheres na política.

Sem citar nomes, a ex-deputada também fez críticas a adversários e aliados que, segundo ela, estariam antecipando disputas internas e pressionando decisões ainda não tomadas. “Tem gente sendo candidato de si mesmo e pressionando um candidato a governador que sequer disse se será candidato”, disparou, numa referência clara às articulações que se intensificam à medida que se aproxima o prazo definido pelo prefeito do Recife, João Campos, para o anúncio da chapa.

Nos bastidores, o cenário é complexo. Marília é cotada para uma das duas vagas ao Senado na chapa governista, que também reúne nomes de peso como o senador Humberto Costa, o ministro Sílvio Costa Filho e o ex-prefeito Miguel Coelho. Como Humberto é considerado nome praticamente certo, a disputa real se concentra na segunda vaga — justamente onde Marília aparece como favorita nas pesquisas, mas enfrenta resistências políticas.

O Partido dos Trabalhadores, por exemplo, tem demonstrado desconforto com a possibilidade de sua candidatura, defendendo que a prioridade absoluta seja a reeleição de Humberto Costa. Esse impasse transforma a popularidade de Marília em um paradoxo: ela lidera as pesquisas, mas ainda não tem garantia de espaço na chapa.

Ao final, o desabafo de Marília Arraes vai além de uma reclamação pessoal. Ele expõe as engrenagens internas da política pernambucana, revela disputas silenciosas por poder e lança luz sobre uma pergunta que ressoa forte entre o eleitorado: até que ponto a vontade popular está, de fato, no centro das decisões políticas?

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