Líder absoluta nas pesquisas de intenção de voto para o Senado — chegando a 41% segundo o Datafolha — Marília deixou claro que não se vê como alguém que está “forçando” uma candidatura. Pelo contrário. Segundo ela, a movimentação em torno do seu nome nasce da vontade popular. “Não sou eu que estou me colocando na disputa para o Senado. É o povo de Pernambuco que está me chamando, e eu sempre estarei à disposição do nosso povo”, afirmou.
O ponto mais forte do desabafo veio quando Marília levantou uma reflexão incômoda, mas necessária: a possibilidade de estar sendo tratada de forma desigual por ser mulher. Em tom direto, questionou se um homem, com o mesmo histórico político, o mesmo desempenho eleitoral e a mesma liderança nas pesquisas, estaria sendo ignorado como ela vem sendo. A fala ecoou rapidamente nas redes e encontrou respaldo entre apoiadores que veem na situação um retrato das barreiras ainda enfrentadas por mulheres na política.
Sem citar nomes, a ex-deputada também fez críticas a adversários e aliados que, segundo ela, estariam antecipando disputas internas e pressionando decisões ainda não tomadas. “Tem gente sendo candidato de si mesmo e pressionando um candidato a governador que sequer disse se será candidato”, disparou, numa referência clara às articulações que se intensificam à medida que se aproxima o prazo definido pelo prefeito do Recife, João Campos, para o anúncio da chapa.
Nos bastidores, o cenário é complexo. Marília é cotada para uma das duas vagas ao Senado na chapa governista, que também reúne nomes de peso como o senador Humberto Costa, o ministro Sílvio Costa Filho e o ex-prefeito Miguel Coelho. Como Humberto é considerado nome praticamente certo, a disputa real se concentra na segunda vaga — justamente onde Marília aparece como favorita nas pesquisas, mas enfrenta resistências políticas.
O Partido dos Trabalhadores, por exemplo, tem demonstrado desconforto com a possibilidade de sua candidatura, defendendo que a prioridade absoluta seja a reeleição de Humberto Costa. Esse impasse transforma a popularidade de Marília em um paradoxo: ela lidera as pesquisas, mas ainda não tem garantia de espaço na chapa.
Ao final, o desabafo de Marília Arraes vai além de uma reclamação pessoal. Ele expõe as engrenagens internas da política pernambucana, revela disputas silenciosas por poder e lança luz sobre uma pergunta que ressoa forte entre o eleitorado: até que ponto a vontade popular está, de fato, no centro das decisões políticas?
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