Autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, a ofensiva cumpriu 42 mandados de busca e apreensão em Pernambuco, Bahia, São Paulo, Goiás e no Distrito Federal. A amplitude territorial da operação indica que a investigação não se limita a fatos isolados, mas examina uma engrenagem que, segundo a PF, pode envolver uma rede estruturada para manipular contratos públicos abastecidos com recursos de emendas parlamentares.
De acordo com as apurações, os investigadores analisam indícios de frustração do caráter competitivo de licitações, fraude em contratos administrativos, além de crimes como peculato, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A suspeita central é a de que recursos destinados a obras e serviços públicos teriam sido direcionados mediante combinação prévia de resultados, esvaziando a concorrência e comprometendo a finalidade das verbas.
Durante o cumprimento dos mandados, a Polícia Federal apreendeu dinheiro em espécie — cujo montante ainda não foi oficialmente divulgado —, além de relógios e canetas de luxo e um automóvel. Os itens recolhidos reforçam a linha investigativa de possível enriquecimento incompatível com a origem declarada dos recursos, embora os fatos ainda estejam sob análise e dependam de aprofundamento pericial.
A operação atinge figuras com trajetória consolidada. Fernando Bezerra Coelho construiu carreira com passagens relevantes pelo Congresso Nacional, enquanto Miguel Coelho comandou a Prefeitura de Petrolina por dois mandatos, projetando-se nacionalmente. Já Fernando Filho mantém atuação na Câmara dos Deputados, com trânsito em pautas estratégicas. Agora, todos se veem sob a pressão de uma investigação que pode redesenhar o cenário político regional.
Até o momento, a defesa dos citados não havia se manifestado publicamente sobre o teor das medidas judiciais. Como determina o devido processo legal, os investigados não são considerados culpados, e o caso seguirá sob análise do Supremo Tribunal Federal, dada a prerrogativa de foro de um dos envolvidos.
A Operação “Vassalos” adiciona mais um capítulo à crescente vigilância sobre o uso de emendas parlamentares no país. Em um ambiente político já marcado por desconfianças e disputas acirradas, a ação da Polícia Federal reacende o debate sobre transparência, controle e responsabilidade no trato com recursos públicos — especialmente quando os nomes envolvidos ocupam posições de destaque e influência.
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