quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

PF PEDE AFASTAMENTO DE SIMÃO DURANDO E FERNANDO FILHO, MAS STF NEGA MEDIDA E MANTÉM MANDATOS

A ofensiva da Polícia Federal no âmbito da Operação Vassalos teve um dos seus pontos mais sensíveis revelados nos bastidores de Brasília: o pedido de afastamento do prefeito de Petrolina, Simão Durando, e do deputado federal Fernando Filho. A medida cautelar, considerada extrema por atingir diretamente o exercício de mandatos eletivos, acabou sendo negada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, mantendo ambos nos cargos enquanto as investigações seguem em curso.

A solicitação da Polícia Federal foi apresentada dentro do inquérito que apura supostas irregularidades na destinação e execução de emendas parlamentares encaminhadas para Petrolina. Para os investigadores, o afastamento temporário seria uma forma de evitar eventual interferência na produção de provas e garantir a lisura do processo investigativo. No entanto, ao analisar o caso, o ministro relator decidiu não acolher o pedido.

A decisão seguiu parecer da Procuradoria-Geral da República, que se manifestou contra o afastamento dos investigados neste momento. Na avaliação jurídica, não ficaram demonstrados requisitos suficientes para justificar uma medida tão drástica como a suspensão do exercício do mandato. Com isso, Simão Durando permanece à frente da Prefeitura de Petrolina e Fernando Filho continua exercendo normalmente suas atividades na Câmara dos Deputados.

Nos bastidores políticos, a negativa do afastamento foi interpretada como um alívio imediato para o grupo político ligado à família Coelho, que tem forte influência na região do Sertão pernambucano. Ainda assim, o fato de a Polícia Federal ter formalizado o pedido elevou a temperatura do cenário político, ampliando o debate sobre o uso de emendas parlamentares e a fiscalização dos recursos públicos.

A Operação Vassalos cumpriu mandados de busca e apreensão e mira suspeitas de direcionamento de contratos e possíveis irregularidades em licitações vinculadas a verbas federais. Apesar disso, até o momento não houve determinação de prisão nem bloqueio de mandato. A investigação segue sob relatoria do STF por envolver parlamentar federal com foro privilegiado.

Em nota pública, as defesas dos envolvidos sustentam que não houve prática de irregularidade e afirmam confiança na Justiça. A estratégia agora deve se concentrar no acompanhamento do inquérito e na apresentação de esclarecimentos técnicos à medida que o processo avance.

A decisão do Supremo reforça que, embora a investigação esteja em andamento e seja considerada relevante pelas autoridades, o afastamento de um agente público eleito exige fundamentos robustos e provas consistentes de risco concreto à apuração. No campo político, o episódio deixa marcas e abre espaço para novas disputas narrativas, mas juridicamente, por ora, os mandatos seguem preservados enquanto o caso continua sob análise do Judiciário.

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