quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

POLÍCIA FEDERAL ABRE INQUÉRITO PARA INVESTIGAR SUPOSTO MONITORAMENTO DE SECRETÁRIO DE JOÃO CAMPOS POUCOS MESES ANTES DA ELEIÇÃO

Em meio à escalada de tensão política em Pernambuco e com a corrida pelo governo estadual se aproximando, a João Campos viu crescer um novo capítulo de polêmica: a abertura de um inquérito pela Polícia Federal do Brasil (PF) para apurar um suposto caso de monitoramento ilegal que teria sido dirigido contra um integrante de sua equipe nas últimas semanas. 

A investigação foi formalizada após decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou que fosse instaurado um inquérito para verificar a existência de indícios de espionagem ou “arapongagem” por parte da Polícia Civil de Pernambuco, órgão subordinado ao governo do estado. 

Como começou a controvérsia

A controvérsia teve início no fim de janeiro, quando foi apresentada uma denúncia de que o secretário de Articulação Política e Social da Prefeitura do Recife, Gustavo Queiroz Monteiro, estaria sendo monitorado por agentes da Polícia Civil de Pernambuco — um ato que, se confirmado, poderia configurar uma violação de garantias básicas e das normas que regem o uso de força policial em investigações. 

O despacho de Gilmar Mendes, além de determinar a abertura do inquérito pela PF, também suspendeu uma investigação que estava sendo conduzida pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE). O ministro justificou sua decisão afirmando que a apuração estadual demonstrava “desvio de finalidade, ausência de delimitação objetiva e violação à tese de neutralidade estatal” definida pelo STF. 

O que está em apuração

Segundo o despacho, a investigação estadual teria utilizado requisições “massivas e horizontais” de dados sem foco claro — um método que, no jargão jurídico, pode ser classificado como “fishing expedition” (busca genérica por indícios sem presunção ou justificativa específica) e que é considerado ilegal no Brasil. 

Os pontos que devem ser analisados pela PF no novo inquérito incluem:

  • Se houve de fato instalação de meios de rastreamento ou vigilância sobre os movimentos do secretário ou de seus familiares;

  • Quem autorizou, executou ou ordenou eventuais diligências de monitoramento;

  • Se houve violação de normas constitucionais ou penais relativas à privacidade, abuso de poder e neutralidade do Estado.

Até o momento, a própria Polícia Civil de Pernambuco reconheceu que realizou uma checagem motivada por uma denúncia interna relacionada a suposto recebimento de propina ligado a um veículo oficial, mas negou que tenha havido acompanhamento de rotina ou espionagem direcionada ao secretário ou a parentes. 

Contexto político e impacto eleitoral

O caso ganhou relevância nacional porque ocorre em um momento chave para a política em Pernambuco: João Campos, do PSB, está entre os nomes mais fortes na disputa pelo governo do estado em 2026, e enfrenta a atual governadora Raquel Lyra (PSD). 

O episódio tem alimentado um debate intenso sobre legalidade, uso de instituições públicas para fins políticos e a integridade de investigações conduzidas por órgãos estaduais em um ano eleitoral acirrado. Enquanto a defesa da gestão municipal fala em tentativa de “interferência indevida” em opositores, autoridades estaduais sustentam que a checagem teria sido apenas uma ação legítima diante de denúncia concreta — ainda que sem desdobramentos. 

Os próximos passos

Com o inquérito instaurado, caberá agora ao delegado designado pela Polícia Federal coletar documentos, ouvir testemunhas e analisar provas para determinar se houve crime e quem poderá responder criminalmente pelo caso. O processo deverá tramitar sob sigilo nas fases iniciais e poderá resultar em requerimentos de medidas cautelares, pedidos de quebras de sigilo ou eventuais indiciamentos, caso sejam identificados indícios suficientes de irregularidades.

O desenrolar deste inquérito será observado de perto, não apenas pela esfera judicial, mas também pelos setores políticos e pela sociedade civil, que veem no episódio um termômetro para a equidistância das instituições em períodos eleitorais e a proteção das garantias individuais frente a poderes policiais.

Nenhum comentário: