segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

PP SE REÚNE PARA DECIDIR RUMO NA ELEIÇÃO E PODE MUDAR O JOGO NA DISPUTA PELO SENADO EM PERNAMBUCO

O cenário político de Pernambuco começa a ganhar contornos mais definidos a partir desta semana com a reunião decisiva do Progressistas (PP), marcada para discutir os rumos da legenda nas eleições estaduais deste ano. O encontro, que acontece logo após o Carnaval, não é apenas mais uma reunião partidária: ele pode redefinir alianças estratégicas e influenciar diretamente a formação das chapas majoritárias, especialmente na corrida pelo Senado Federal.

O presidente estadual da sigla, o deputado federal Eduardo da Fonte, trabalha nos bastidores para viabilizar seu nome como candidato ao Senado em uma das vagas na chapa da governadora Raquel Lyra, filiada ao Partido Social Democrático (PSD). A antecipação do debate interno do PP não ocorreu por acaso. Segundo informações de bastidores, foi a própria governadora quem solicitou que a decisão partidária fosse acelerada para fevereiro, antes mesmo do prazo final de filiações partidárias. Eduardo da Fonte, que inicialmente pretendia tratar do tema apenas após essa etapa do calendário eleitoral, atendeu ao pedido da gestora estadual, demonstrando sintonia política — ao menos neste momento — com o Palácio do Campo das Princesas.

Hoje, dentro do PP, o sentimento majoritário é de alinhamento com Raquel Lyra. A legenda integra a base da governadora e tem ocupado espaços estratégicos na composição política estadual. Apesar disso, nas últimas semanas surgiram comentários de que a porta não estaria completamente fechada para um eventual diálogo com o prefeito do Recife, João Campos, do Partido Socialista Brasileiro (PSB), que também se movimenta de olho na disputa pelo Governo do Estado. Ainda que essa hipótese exista no campo das especulações, interlocutores do partido avaliam que esse caminho é hoje bem mais difícil de se concretizar, tanto pelo histórico recente quanto pela composição atual de forças.

Outro fator que pesa na equação é a federação partidária firmada entre o PP e o União Brasil. Em Pernambuco, o União Brasil é comandado por Miguel Coelho, que também articula seu espaço e, segundo aliados, tem interesse direto em disputar uma das vagas ao Senado. A federação impõe decisões conjuntas e exige alinhamento estratégico, o que amplia o grau de complexidade nas negociações.

Na última semana, Raquel Lyra declarou publicamente que abriu diálogo com Miguel Coelho e que estaria disposta, inclusive, a ceder à federação as duas vagas de senador na chapa governista. A sinalização é vista como um gesto político relevante, mas também acende um alerta dentro do PP. Para Eduardo da Fonte, o cenário não é simples: são apenas duas vagas em disputa, e a concorrência interna tende a ser intensa.

Do outro lado do tabuleiro político, no campo de João Campos, já aparece como pré-candidato ao Senado o atual senador Humberto Costa, nome considerado competitivo e bem posicionado nas pesquisas iniciais. Esse dado reforça a pressão por uma definição estratégica rápida por parte do PP, que precisa decidir se consolida sua permanência firme na base governista ou mantém alguma margem de negociação.

A reunião desta semana marca, portanto, o início formal de um debate interno que promete ser intenso. Não há garantia de que o partido sairá do encontro com uma definição fechada, mas a tendência é que as conversas avancem para dar previsibilidade ao cenário eleitoral. Em um pleito que promete forte polarização e disputa acirrada pelas duas cadeiras no Senado, cada movimento estratégico pode alterar o equilíbrio das forças.

O PP sabe que ocupa posição central nesse xadrez político. Com musculatura eleitoral, tempo de televisão e presença em diversas regiões do Estado, a legenda pode ser peça-chave na consolidação de uma chapa competitiva. A decisão que começar a ser desenhada agora poderá não apenas definir o futuro de Eduardo da Fonte, mas também influenciar diretamente o formato da disputa majoritária em Pernambuco.

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