Sem cravar cenários, Raquel fez questão de destacar a relação política construída com Priscila ao longo dos anos. Segundo ela, a parceria nasceu ainda nos tempos da Assembleia Legislativa, quando estavam em campos opostos, mas compartilhavam valores semelhantes. “Priscila é minha parceira de governo. Nos encontramos por valores na política e valores de vida”, afirmou, sinalizando afinidade pessoal e política, mas mantendo a indefinição estratégica sobre 2026.
Apesar de evitar qualquer anúncio formal, a governadora foi enfática ao reconhecer a capacidade da vice. Declarou que Priscila pode ocupar “qualquer cargo”, inclusive o de governadora, ressaltando sua competência, seriedade e preparo político. A fala foi interpretada nos bastidores como um gesto público de prestígio dentro do grupo governista, ainda que a decisão final permaneça em aberto.
Raquel também reforçou que, embora já se coloque como pré-candidata à reeleição, o momento é de priorizar a administração estadual. Segundo ela, as articulações partidárias caminham paralelamente à agenda administrativa, mas não devem interferir no ritmo das entregas do governo. “Estamos no mês de fevereiro. Vou cuidar do governo e seguir para fazer a melhor entrega possível ao povo de Pernambuco”, declarou, ao enfatizar que não tem pressa para fechar acordos eleitorais.
A formação da chapa ao Senado foi outro ponto abordado na entrevista. A governadora destacou que as definições dependem de negociações internas entre os partidos da base aliada e que as conversas estão em curso. O calendário eleitoral estabelece que as candidaturas precisam ser oficializadas em convenção até o dia 5 de agosto, prazo que, segundo ela, oferece tempo suficiente para amadurecer as alianças.
Questionada sobre diálogos com nomes que já se colocam como pré-candidatos ao Senado, como o deputado federal Eduardo da Fonte (PP) e o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho (União Brasil), Raquel confirmou que mantém diálogo dentro de uma base ampla, mas evitou detalhar como estão as costuras políticas. A estratégia, segundo aliados, é preservar espaço de negociação até mais próximo das convenções.
Durante a entrevista, a governadora também manifestou solidariedade a Miguel Coelho e à esposa, Lara Secchi, pela perda do bebê Rafael, ocorrida na quinta-feira (19). Raquel relatou ter acompanhado, em viagens, a expectativa da família pela chegada da criança e desejou conforto ao casal neste momento de luto.
No campo institucional, a chefe do Executivo comentou a relação com a Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), afirmando que a base governista tem assegurado estabilidade política para aprovação de matérias consideradas estratégicas. Ela citou o apoio de partidos como Avante, Podemos e PP, além da federação formada por PT, PCdoB e PV, como pilares da governabilidade.
A governadora agradeceu aos parlamentares pelo respaldo às pautas já aprovadas e destacou que novos desafios exigirão agilidade na tramitação de projetos. Ao mesmo tempo, reforçou o discurso de que a prioridade segue sendo melhorar a vida da população. “Quem está em casa, no trabalho, no ônibus, quer saber como a vida melhora todo dia”, afirmou, numa sinalização clara de que pretende sustentar a narrativa de gestão como eixo central da pré-campanha.
Com o calendário eleitoral avançando, Raquel Lyra mantém o discurso de serenidade e foco administrativo, enquanto deixa em aberto as peças-chave do tabuleiro político de 2026 — uma estratégia que preserva alianças, evita desgastes prematuros e mantém a base mobilizada até a definição oficial das chapas, prevista para agosto.
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